Putin e líder sírio discutem manutenção de bases russas na Síria
Segundo a presidência russa, Vladimir Putin e Ahmad al-Sharaa também "debateram a situação atual e as perspetivas das relações russo-sírias".
"Foi manifestada a disponibilidade para aprofundar o diálogo político, bem como a cooperação comercial, económica, humanitária e noutros domínios", assinalou o Kremlin.
Por sua vez, a Presidência síria indicou que Ahmad al-Sharaa e Vladimir Putin debateram "as relações bilaterais e as formas de as desenvolver".
Os presidentes salientaram "a importância de prosseguir a coordenação (...) entre os dois países, de forma a servir os interesses comuns e a segurança, e a apoiar a estabilidade na Síria e na região", prosseguiu a liderança síria.
O Kremlin afirmou ainda que Putin aproveitou a ocasião para salientar ao homólogo sírio a "posição de princípio em apoio à unidade e à integridade territorial do país, à criação de condições para uma normalização da situação a longo prazo e à reconstrução após o conflito" civil que assolou a Síria durante 14 anos.
Os dois presidentes "acordaram em manter os contactos a vários níveis entre os dois países", acrescentou ainda Moscovo.
O memorando assinado por Damasco e Moscovo no início do mês pôs fim a conversações que se prolongaram por mais de um ano e meio e que tiveram início com a queda do regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
Segundo o Ministério dos Negócios Estrangeiros sírio, isto dá início ao "processo de reorganização da presença russa na costa síria", onde Damasco assumirá a gestão das instalações civis — principalmente o aeroporto de Hmeimim e o quarto cais comercial do porto de Tartus — para as integrar gradualmente na administração civil.
As bases militares passarão a ser "centros conjuntos de treino e reabilitação", um processo que deverá estar concluído num prazo máximo de três meses.
A base naval de Tartus tem sido utilizada desde a década de 1970, na sequência de um acordo entre a União Soviética e a Síria, enquanto a base aérea de Hmeimim foi construída e utilizada pelas tropas russas em 2015 para reforçar a sua presença na intervenção militar a favor do regime de Bashar Al-Assad.
A queda do regime de Assad em 2024 representou um golpe para a influência de Moscovo na região.
Desde então, Putin tem-se esforçado por estabelecer relações com as novas autoridades de Damasco, apoiadas pelos Estados Unidos.
Por seu lado, a Síria declarou-se disposta a cooperar com Moscovo e al-Sharaa foi recebido duas vezes por Putin em Moscovo desde que chegou ao poder.
Em 2017, Damasco e Moscovo assinaram um tratado de arrendamento de ambas as bases por 49 anos, que conferia plenos poderes operacionais às tropas russas.
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