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Ao jovem ciclista que não veremos envelhecer

Diário de Notícias ·

Confundimos bastas vezes o essencial com o acessório.

Esquecemo-nos de quem deveríamos recordar e abrimos noticiários mais com fogo de artifício do que com o que é importante e substancial.

Arranco com palavras óbvias para reforçar um outro ponto, menos visto, mas porventura mais chocante.

O de falarmos sobre um tema, o de nos agitarmos mediaticamente com isto e aquilo sem conseguirmos ter o discernimento de observar o assunto com lentes humanas, civilizadas, que nos enobreçam o olhar.

Escrevo acerca da trágica morte de um jovem numa estrada nos arredores de Ponte de Lima.

Um ciclista britânico de 19 anos que fazia a sua estreia na Volta a Portugal em Bicicleta.

Chamava-se Finlay e tornara-se ciclista por venerar o irmão mais velho que é atualmente um dos melhores contrarrelogistas mundiais.

As tragédias acontecem sem pré-aviso, uma irrefutável verdade.

No entanto, o atropelamento de Finlay evidencia também a brutalidade em que nos estamos a tornar.

É como se um vírus de desumanidade tivesse tomado conta da nossa forma de escutar o mundo.

Claro que nos comovemos.

Evidente que a notícia foi manchete e abriu a atenção de todos os telejornais.

Não discuto que o tema se falou nos lugares de pobres e de ricos, de velhos e de novos, de mulheres e de homens.

Trocaram-se ideias sobre o pobre rapaz, sobre o erro de segurança ou as dúvidas em relação ao comportamento do automobilista (terá fechado os olhos e acelerado apesar dos avisos? Ou acelerado por não existir quem o tivesse avisado?).

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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