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Falar verdade sobre a Segurança Social

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O Governo criou um grupo de trabalho para estudar a sustentabilidade da Segurança Social, que concluiu, sem surpresa, que o sistema é deficitário.

E digo “sem surpresa” não porque a realidade seja esta (bem pelo contrário!) mas pelo perfil das pessoas escolhidas para integrar o grupo de trabalho, em especial, o seu coordenador que sempre defendeu esta posição.

O Governo vem agora, de forma sonsa, dizer que não irá (para já) fazer reformas na Segurança Social, mas nomeou pessoas que sabia irem criar o pânico sobre o sistema de pensões e fê-lo deliberadamente.

Relembre-se que, em 2016, numa apresentação pública, Jorge Bravo estimou que a Segurança Social teria um saldo negativo em 2025.

Ora, a Segurança Social teve um excedente de mais de seis mil milhões e meio de euros em 2025 e de mais de três mil milhões e meio de euros até maio de 2026! Aliás, sem a Segurança Social, o saldo consolidado orçamental em 2025 teria sido deficitário em cerca de 2% do PIB.

Neste estudo “pseudo-independente”, os autores calculam o défice da Segurança Social em 1,94 mil milhões e propõem uma reforma que poria em causa o sistema público, com base em equívocos deliberados, o principal dos quais é juntar as contas da Segurança Social e da Caixa Geral de Aposentações (CGA), que são modelos que têm natureza e pressupostos totalmente diferentes, desde logo porque a CGA é um sistema fechado desde 1 de janeiro de 2006 e, por isso, naturalmente deficitário e dependente do Orçamento do Estado.

Juntar os dois sistemas é pura e simplesmente desonesto.

Outro erro é afirmar que o sistema público não assegura um nível adequado de pensões, o que é contrariado por estudos da OCDE ( Pensions at a Glance 2025 ) que indicam que a taxa de substituição (que compara o último salário com a primeira pensão) em Portugal é até ligeiramente superior à média europeia.

A intenção dos autores do estudo é clara: minar a confiança no sistema público para abrir caminho à privatização da Segurança Social e aos apetecíveis fundos de pensões, mesmo que, para isso, tenham de manipular a realidade.

A situação da Segurança Social permite, pelo contrário, um otimismo moderado, o que não significa que não se devam estudar medidas que permitam manter a sua natureza pública, intergeracional e solidária, atendendo aos desafios colocados pela estrutura demográfica da nossa sociedade e ao envelhecimento e redução da população ativa.

Assim, é preciso diversificar as fontes de financiamento, sobretudo num contexto em que proliferam empresas tecnológicas que têm lucros elevadíssimos, mas com poucos trabalhadores e que, por isso, não contribuem para o sistema em termos proporcionais com os seus rendimentos e peso económico-financeiro.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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