Produtividade de Portugal face à UE é mais baixa do que em 2000
A produtividade por hora trabalhada fixou-se em 66,9% da média da União Europeia, uma percentagem inferior aos 67,6% registados no ano 2000, conclui uma análise da Business Roundtable Portugal.
A associação que reúne líderes de 46 grandes empresas portuguesas alerta que a compressão salarial, originada pela subida do salário mínimo, penaliza a retenção de talento.
A última edição do relatório “Comparar para Crescer”, elaborado pela Associação Business Roundtable Portugal (BRP), começa por destacar que “ Portugal tem-se caracterizado por um bom ritmo de crescimento do PIB , com um crescimento acumulado de 26%, superior mesmo à média europeia (19,3%) e dos países concorrentes (23,6%)”, grupo que inclui Chéquia, Grécia, Eslovénia, Espanha, Polónia, Itália, Estónia e Hungria.
Destaca também o forte crescimento do mercado de trabalho .
A taxa de emprego aumentou de 63,4% em 2013 para 79,6% no ano passado, ficando acima quer da média de 76,1% da União Europeia (UE), quer da dos concorrentes, de 76,7%.
No entanto, observa a publicação, “este dinamismo não se não se traduziu numa melhoria equivalente da produtividade” .
O valor gerado por hora trabalhada em 2025 foi equivalente a 66,9% da média da União Europeia (UE), com Portugal a perder terreno face aos países concorrentes e a descer para a 24ª posição entre os 27 Estados-membros.
O país está mesmo mais longe da média da UE do que estava no ano 2000, quando o valor gerado por hora equivalia a 67,9% e era o 17º do ranking.
Espanha também apresenta uma trajetória descendente, mas tem uma produtividade muito mais elevada (96% da média).
Para a BRP, “o crescimento português assentou sobretudo na mobilização de mais trabalho e menos no aumento do valor gerado por cada trabalhador” .
Isto acontece porque “ uma parte significativa dos novos empregos foi criada em setores intensivos em mão de obra e com menor VAB [Valor Acrescentado Bruto] por trabalhador”, sustenta o “Comparar para Crescer”.
A BRP assinala que, dos cerca de 684.357 postos de trabalho criados entre 2011 e 2024, com um VAB médio anual de 40,4 mil euros, mais de cerca de 60% foi criado em setores com um VAB de apenas 31,7 mil euros, tais como as atividades administrativas, alojamento e restauração, agricultura e pescas.
No mesmo período, os 81 mil novos empregos nas tecnologias de informação e comunicação (TIC) geraram um VAB de 61,8 mil euros.
A associação aponta o setor como “um exemplo de crescimento setorial que contribui simultaneamente para o emprego, para a criação de valor e para a melhoria da produtividade agregada”.
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