Ventura acusa PM de não ter qualidade e é acusado de viver para manchetes
O líder do Chega acusou hoje o primeiro-ministro de não ter qualidade para liderar o Governo, referindo o barómetro em que lidera as intenções de voto, com Luís Montenegro a responder que André Ventura "vive para as manchetes".
No debate quinzenal desta manhã, no Parlamento, André Ventura arrancou a sua intervenção referindo que Luís Montenegro "não tem grande qualidade para ser primeiro-ministro".
Mostrando várias primeiras páginas de jornais, o presidente do Chega considerou que a "única boa notícia" de hoje é que "o Chega passou a liderar as intenções de voto em Portugal", aludindo ao barómetro DN/Aximage, divulgado hoje, no qual o seu partido lidera as intenções de voto, com 30,7%.
Na resposta, o primeiro-ministro defendeu que André Ventura "vive para as manchetes, vive das manchetes" e "a sua política para Portugal começa e acaba nas manchetes dos jornais" e acusou o líder do Chega de não conseguir "concretizar muito daquilo que diz".
"Nós vivemos noutra dimensão, que é a dimensão da resolução dos problemas das pessoas. Nós vivemos concentrados em dar resposta àquilo que são as necessidades do país, as necessidades imediatas e também os alicerces para aquilo que o país pode e deve ser no médio e no longo prazo", indicou Luís Montenegro.
No seu pedido de esclarecimento, o líder do Chega voltou a insistir na descida do IVA dos combustíveis e a isenção deste imposto para um conjunto de bens alimentares e questionou a razão pela qual a proposta de Orçamento do Estado para o próximo ano não inclui essas medidas.
"O senhor primeiro-ministro diz 'nós não estamos a aumentar imposto nenhum, temos 920 dias sem impostos'. Não precisam, as portagens vão ter cobrança recorde, o IVA vai ter cobrança recorde, os impostos sobre os combustíveis vão ter cobrança recorde. Não aumentam os impostos, mas vão sacar de forma recorde a todos no próximo ano", acusou.
Na resposta, o líder do Governo referiu que o preço dos combustíveis tem atualmente "um desconto vigente, fruto das decisões do Governo, de cerca de 23 cêntimos" e argumentou que a diminuição do IVA não teria tanto impacto.
"Desde a semana de 02 de março que o IVA acrescido sobre o preço dos combustíveis em Portugal tem uma taxa. Sabe qual é a taxa? Zero! Nós devolvemos todo o valor do IVA arrecadado desde a primeira semana em que houve uma oscilação superior a 10 cêntimos no preço da gasolina e do gasóleo", indicou o primeiro-ministro, elencando de seguida outras medidas que o Governo adotou.
Montenegro defendeu igualmente que o Governo toma decisões com base no "princípio do equilíbrio", considerando que é isso que falta ao Chega.
"Acha que se nós víssemos como positivo estar a dar a oportunidade às pessoas de pagarem menos pelo preço dos seus bens essenciais que nós não o faríamos? Se nós não tivermos equilíbrio, aquilo que nós possamos fazer hoje vai ter um preço amanhã, e o preço a pagar amanhã será muito superior àquilo que está a ser pago agora", sustentou.
O deputado do Chega na Assembleia da República, Francisco Gomes, criticou o Orçamento do Estado para 2027, acusando-o de "fraude política" e "traição aos madeirenses", destacando o "desprezo político" da República pela Madeira.
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