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O que causou as inundações catastróficas no Nepal?

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O que causou as inundações catastróficas no Nepal?

A avalanche de gelo e de rochas que invadiu a fronteira entre o Nepal e o Tibete esta quarta-feira provocou inundações repentinas que devastaram tudo à sua passagem. O saldo, para já, é de 157 pessoas mortas, mas as autoridades de vários países continuam no terreno à procura de sobreviventes e corpos entre as centenas de desaparecidos.

Ainda não são oficiais as causas da catástrofe mas, ao longo do dia, foi abandonada a hipótese inicial que dizia que a enxurrada tinha sido provocada por um sismo: ou seja, um abalo tinha provocado o colapso da parte inferior de um glaciar que caíra sobre um rio, provocando as inundações. Mais tarde, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) veio desmentir essa tese, aferindo que a causa-efeito foi inversa: o deslizamento de terras produziu tamanha energia que equivaleu à força de um abalo.

“Este fenómeno foi inicialmente relatado como um sismo de magnitude 4,4. Uma análise adicional das ondas sísmicas de longo período indica que a energia sísmica foi, na verdade, gerada por um deslizamento de terra. A localização deste fenómeno foi estimada a partir de imagens de satélite”, lê-se numa atualização feita pelo USGS.

Apesar da proximidade temporal ao desastre ainda não permitir mais do que análises preliminares, os cientistas do Departamento de Hidrologia e Meteorologia do Nepal estão em crer que as cheias repentinas foram propiciadas por um bloqueio num dos dois afluentes que se juntam no distrito de Rasuwa para formar o rio Trishuli.

Segundo o que um dos responsáveis afirmou ao Kathmandu Post , foram obtidas imagens preliminares captadas por satélites chineses que demonstram como uma série de detritos arrastados por uma avalanche de gelo bloqueou o rio Lhende Khola a cerca de 20 quilómetros a montante de uma ponte que liga o Nepal à China. O fenómeno terá permitido a criação de um lago temporário até ao momento em que esta “barragem” se rompeu e provocou uma enxurrada massiva.

Os cientistas nepaleses acreditam também que a libertação repentina destes volumes de água foi agravada pelos detritos que a enxurrada entretanto arrastou consigo. “Se fosse apenas água límpida, não teria causado este nível de destruição. Mas assim que os detritos se misturaram com a água, a profundidade aumentou significativamente”, afirma Binod Parajuli, chefe da secção que estuda as cheias no país.

Esta hipótese, no entanto, continua a levantar dúvidas, nomeadamente quais foram os gatilhos para este rompimento. A tese a ser avançada por Daniel Shugar, geólogo da Universidade de Calgary, no Canadá, ao The New York Times , é de que foi provocado pela queda de um enorme bloco de gelo com uma largura de quase 600 metros que se desprendeu de um glaciar. “Parece que uma parte do glaciar na zona se desprendeu com um corte limpo, permitindo que caísse pouco mais de um quilómetro vertical até ao fundo do vale”, afirma.

Ao cair a alta velocidade, o gelo começa a pulverizar e a transformar-se em água misturada com detritos, provocando uma avalanche de gelo letal.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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