Nepal: Afinal, deslizamento de terras é que causou sismo? O que se sabe
O Nepal foi, esta quarta-feira, dia 26 de agosto, atingido por uma catástrofe natural perto da fronteira com o Tibete, na China, que provocou, pelo menos, mais de uma centena de mortos e vários desaparecidos (incluindo dois portugueses). Mas, afinal, foi o deslizamento de terras que causou um sismo? Ou foi ao contrário?
A vaga de água e lama, recorde-se, atingiu o rio Bhotekoshi a partir da zona tibetana, por volta das 09h15 locais (04h30 em Lisboa), e afetou com particular gravidade as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, segundo fontes oficiais. Também o Tibete, território chinês foi afetado.
É aqui que a informação tem vindo a divergir, ou seja, foi noticiado que, num primeiro momento, um sismo terá provocado um deslizamento de terras, bloqueando o curso do rio e originando a inundação.
Aliás, foi registado um abalo de magnitude 4,4, na escala de Richter, com epicentro a cerca de 77 quilómetros a noroeste da localidade nepalesa de Kodari, de acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos.
Horas mais tarde, a origem da catástrofe acabaria por ser retificada pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), que determinou que o terramoto foi, na verdade, gerado pelo deslizamento de terras .
Na atualização, explicaram que análises adicionais às ondas sísmicas de longo período mostraram que a energia sísmica não teve origem num terramoto. Nesse sentido, o Serviço Geológico atualizou o evento sísmico para um deslizamento de terras, e situou a sua origem cerca de 55 quilómetros a noroeste de Kodari, no Nepal.
Dezenas de imagens de câmaras de vigilância mostram pequenas povoações, albufeiras, pontes e outras infraestruturas a serem completamente destruídas quando o rio que as atravessa sobe repentinamente, enquanto dezenas de pessoas correm a tentar fugir das inundações.
As autoridades mobilizaram as forças de segurança e as equipas de emergência enquanto tentavam determinar a dimensão dos estragos e localizar as pessoas que permaneciam incontactáveis.
A cheia atingiu com especial intensidade o distrito de Rasuwa, no norte do Nepal, onde a massa de água atingiu as localidades de Timure, Rasuwagadhi e Syabrubesi, junto a uma das principais passagens terrestres para o Tibete.
Sabe-se ainda que a catástrofe danificou pelo menos 80 pontes transitáveis e cerca de 40 quilómetros de estradas, além de projeto hidroelétricos e outras infraestruturas, o que dificultou o acesso a equipas de salvamento a algumas zonas afetadas.
O número de mortos tem vindo a subir nas últimas horas e, segundo o último balanço das autoridades, para já, estão contabilizadas 160 vítimas mortais. Por sua vez, há 900 desaparecidos, entre os dois portugueses .
A Autoridade Nacional para a Redução e Gestão do Risco de Catástrofes (NDRRMA) do Nepal soma 484 turistas incontactáveis, além de 44 membros do exército, 28 polícias, 13 efetivos da Força Armada de Polícia e 60 trabalhadores de vários projetos hidroelétricos.
Já a China apontou pelo menos 265 desaparecidos.
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