“Mistura alhos com bugalhos”. Carneiro critica estudo sobre Segurança Social
O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, criticou esta quarta-feira o estudo apresentado pelo grupo de trabalho que se debruçou sobre a sustentabilidade da Segurança Social, mas também o silêncio do primeiro-ministro.
O líder socialista lamentou ainda que Luís Montenegro não tenha discutido antecipadamente com a oposição a compra pelo Estado de uma participação na REN.
“ Neste momento, o primeiro-ministro já deveria ter falado sobre este assunto [relatório da Segurança Social] e não esconder-se atrás de um biombo de uma comissão técnica”, defendeu José Luís Carneiro em entrevista à SIC Notícias.
O líder do PS é a mais recente voz que se junta ao coro de críticas à esquerda do Governo e sindicais na sequência do relatório do grupo de trabalho criado para estudar a reforma do sistema.
O secretário-geral escusou-se a traçar linhas vermelhas para aprovar o Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), mas recordou que as pensões são umas das condições para viabilizar o documento.
Não respondendo diretamente se caso estivesse no Governo iria aumentar a idade da reforma, José Luís Carneiro deixou ao invés uma garantia: “Se o governo e o primeiro-ministro pensarem em utilizar o saldo da Segurança Social (SS) para pagar o défice da Caixa Geral de Aponsentaçoes (CGA) contará com toda a oposiçao do PS”, defendeu.
Peritos defendem reforma das pensões com “consenso político” Ler Mais Ainda sobre o relatório considera que este “mistura alhos com bugalhos” , numa alusão ao cálculo utilizado pelo grupo de trabalho , que combinou o saldo da Segurança Social com as contas da CGA.
“É inaceitável que se permita que se instale o medo e receio sobre a segurança das pensões” , acrescentou ainda.
Jorge Bravo, coordenador do grupo de trabalho, defendeu, na apresentação em Lisboa, que só considerar o saldo da SS “é uma leitura incorreta, incompleta e pode criar ilusão”.
Desconforto por Montenegro não ter informado oposição sobre compra de participação na REN O líder do PS defendeu ainda que o primeiro-ministro deve várias explicações ao País, que vão desde o investimento na REN ao Fundo de Soberania.
Apesar de defender que “pode haver circunstâncias em que se justifique a integração do Estado em empresas públicas consideradas estratégicas ao interesse nacional”, não posiciona claramente o partido sobre a decisão, por faltarem respostas a várias questões.
Estado paga prémio de 17% para reentrar na REN Ler Mais “Qual é a razão estratégica para esta decisão? Como é que essa decisão vai garantir que o Estado participa nas decisões de caráter estratégico a nível de planeamento e decisões de investimento? Porquê este valor e este acionista?”, voltou a enumerar, já depois de ter questionado o primeiro-ministro no domingo .
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