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A democracia também se constrói fora da política

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A democracia também se constrói fora da política

A democracia europeia entrou numa nova fase. Aspetos como a desinformação, polarização, interferência externa, transformação dos media, novas tecnologias e dificuldades de participação cívica passaram a ser tratados não apenas como problemas políticos, mas como desafios à própria resiliência das sociedades democráticas.

A União Europeia reconheceu essa mudança ao apresentar, em novembro de 2025, o European Democracy Shield e uma nova Estratégia Europeia para a Sociedade Civil. A abordagem é significativa pois proteger a democracia já não significa apenas garantir eleições livres ou instituições sólidas mas também fortalecer uma sociedade civil independente, cidadãos informados, meios de comunicação plurais e espaços onde seja possível participar, debater e discordar.

Esta mudança de perspetiva merece particular atenção também em Portugal.

Quando pensamos em democracia pensamos normalmente em eleições, partidos, parlamento e governo. Mas uma democracia saudável constrói-se também muito antes de um cidadão chegar a uma urna. Depende da sua capacidade para interpretar informação, distinguir factos de manipulação, conhecer os seus direitos, compreender posições diferentes da sua e acreditar que a participação pode fazer alguma diferença.

É exatamente aqui que as fundações podem desempenhar um papel particularmente interessante.

Não se trata de financiar partidos, candidatos ou determinadas posições ideológicas. Trata-se de investir naquilo a que poderíamos chamar a infraestrutura da democracia e que inclui conhecimento independente, pensamento crítico, literacia mediática, participação dos jovens, memória democrática, organizações da sociedade civil e espaços de debate plural.

Este ano, a Fundação Francisco Manuel dos Santos realiza, entre 30 de agosto e 6 de setembro, a sua Escola de Verão 2026, este ano dedicada precisamente ao tema “(Des)informação e Democracia”. Destinada a alunos do 10.º e 11.º anos, procura desenvolver pensamento crítico, aprofundar a compreensão do papel da comunicação social no funcionamento da democracia e proporcionar contacto e debate com jornalistas, investigadores e especialistas. A própria Escola de Verão nasceu com o propósito de dar aos mais jovens ferramentas baseadas em informação rigorosa para tomarem decisões informadas e terem um papel ativo na sociedade.

A Fundação da Juventude trabalha o mesmo problema a partir de outra perspetiva: a participação. Os seus programas de cidadania procuram desenvolver competências pessoais e sociais dos jovens e iniciativas como A(gentes) M — Agentes de Mudança criaram fóruns de auscultação, capacitação e diálogo entre jovens e decisores. O objetivo declarado inclui promover cidadania ativa, inclusão, solidariedade e permitir que os jovens participem na discussão das políticas que lhes dizem respeito.

Noutra área, a Fundação Mário Soares e Maria Barroso utiliza a memória e o património documental como instrumentos de educação democrática.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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