O que é que a assessora de Flávio Bolsonaro tem a ver com o assassinato de Marielle Franco?
Flávio Bolsonaro destinou quase 200 mil reais a uma ONG indicada pelo miliciano Robson Calixto Fonseca, o Peixe, condenado por integrar a organização criminosa dos irmãos Brazão, apontados como mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes.
Peixe terá pedido recursos a uma assessora de Flávio Bolsonaro para um projeto de futebol infantil na… Em 2023, o senador Flávio Bolsonaro, atual candidato à Presidência da República pelo PL, enviou, através do Senado, uma emenda parlamentar de quase 200 mil reais (aproximadamente 34.100 euros) para um projeto de futebol infantil promovido por uma ONG chamada Ifop (Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio), sediada no bairro da Taquara, no Rio de Janeiro.
O pedido veio de Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, um miliciano entretanto condenado por participar no assassinato da vereadora Marielle Franco.
Peixe não é uma figura secundária no caso Marielle.
Segundo a delação premiada de Ronnie Lessa, o assassino confesso da vereadora e do motorista Anderson Gomes, foi Peixe quem o apresentou aos mandantes do crime, os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão, e quem lhe arranjou a submetralhadora usada no duplo homicídio.
Peixe sempre negou as acusações, mas acabou condenado em fevereiro deste ano a nove anos de prisão, por atuar como braço operacional da organização criminosa armada liderada pelos Brazão.
Segundo o Ministério Público do Rio, os cargos públicos que recebeu de Domingos Brazão, na Assembleia Legislativa e no Tribunal de Contas do estado, serviam apenas para dar uma aparência de legalidade ao papel que realmente desempenhava: o de elo entre os irmãos Brazão e os milicianos que controlam a zona de Jacarepaguá.
A história das mensagens hoje reveladas pela revista Piauí começa em outubro de 2023.
Nessa altura, Peixe estava a tratar da construção de imóveis num loteamento da região e, pouco depois, contactou por WhatsApp uma assessora parlamentar do gabinete de Flávio Bolsonaro, Maria de Fátima Bezerra Castro, cujo número Peixe tinha salvado no telemóvel como “Fafa Flávio Bolsonaro”.
Pediu-lhe ajuda para o tal projeto de futebol do Ifop.
A assessora respondeu com prontidão, orientando-o a formalizar o pedido através de um ofício, o que Peixe fez ainda nesse mesmo dia.
Dois dias depois, foi Maria de Fátima Bezerra Castro, quem tomou a iniciativa: perguntou a Peixe se ainda tinha contacto com Chiquinho Brazão, então deputado federal.
Ao confirmar que sim, a assessora sugeriu que aproveitasse uma cerimónia oficial do gabinete, a entrega de quase 400 coletes de balas à Polícia Militar do Rio, para reforçar pessoalmente o pedido de dinheiro junto do próprio senador, e recomendou explicitamente que levasse Brazão consigo.
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