UE avisa que acordo de gasóleo russo traz “mais recursos” para alimentar a guerra
“Este não é o momento para aliviar a pressão sobre a Rússia e a Europa não o fará”, declarou a alta-representante da UE para os Negócios Estrangeiros.
Kaja Kallas recordou que os ataques russos resultaram na morte de mais de 80 civis ucranianos em dois dias e que Moscovo “intensificou os seus ataques híbridos contra a Europa, visando tanto os Estados-membros da UE como os aliados da NATO [aliança do Atlântico Norte]”.
A dirigente comunitária indicou que, na segunda-feira, os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE “pretendem aprovar o maior conjunto de listas de sanções contra a máquina de guerra russa desde o início do conflito”, provocado pela invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
Os Estados Unidos autorizaram temporariamente, na sexta-feira, a venda, entrega, descarga e importação de gasóleo de fabrico russo, incluindo a sua entrada no mercado norte-americano, até 07 de abril de 2027, apesar das sanções impostas a Moscovo.
O Gabinete de Controlo de Ativos Estrangeiros (OFAC) mantém, no entanto, restrições aos pagamentos através de contas de três instituições financeiras estatais russas.
A medida foi justificada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, como um esforço para conter a escalada de preços dos combustíveis desde o início da ofensiva israelo-americana contra o Irão, em 28 de fevereiro.
Segundo o líder da Casa Branca, a Rússia aceitou libertar de imediato 300 mil toneladas de gasóleo “para o mercado americano e global”, seguidas de 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão posteriormente.
Após o anúncio deste acordo, a Rússia lançou um forte ataque em Zaporijia, no sudeste da Ucrânia, que matou pelo menos 15 pessoas, incluindo três crianças, segundo as autoridades locais.
Em reação, o Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, considerou que a Rússia “expressou a sua gratidão” a Washington pelo levantamento de sanções petrolíferas através de novos bombardeamentos contra o seu país.
“Hoje, a Rússia expressou a sua gratidão pelo levantamento das sanções às exportações de gasóleo lançando cinco bombas sobre edifícios residenciais em Zaporijia”, escreveu Zelensky nas redes sociais.
Anteriormente, Zelensky já tinha considerado, em declarações à imprensa, que a decisão era injusta e “imprópria de um aliado”.
A Ucrânia visou hoje, pelo seu lado, um terminal petrolífero na região de Rostov, no sul da Rússia.
O ataque causou um incêndio num terminal de armazenamento e bombagem de combustível da refinaria de Novoshakhtinsk, que já tinha sido atingida por drones ucranianos em 09 de julho, de acordo com o canal independente russo Astra.
Além de Kaja Kallas, o acordo entre Moscovo e Washington foi recebido com protestos da Alemanha.
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