Baixa literacia financeira continua a desafiar mercado de capitais angolano
A baixa literacia financeira, liquidez do mercado e a preparação das empresas estão entre os principais desafios do mercado de capital angolano, concluíram esta quarta-feira, 23 de setembro, especialistas desta área.
O tema foi abordado no 5.º Fórum do Mercado de Capitais, organizado pela Media Rumo em parceria com a Comissão do Mercado de Capitais (CMC), num painel sobre Desafios e Oportunidades do setor.
Na sua intervenção, o presidente da comissão executiva do BFA Capital Markets, Odair Costa , referiu que o mercado de capitais angolano está numa fase ascendente, mas necessita ainda de ultrapassar desafios para poder capitalizar as oportunidades, um deles o nível baixo de literacia financeira de todo o mercado, começando nos investidores, emitentes e ‘players’.
Segundo Odair Costa, o desafio nos emitentes “é o mais difícil”, porque o Programa e Privatizações o Governo está na fase final, e “é preciso buscar empresas do setor privado para trazer para o mercado de capitais, para emitir dívida, para emitir ações”.
“É preciso apostarmos fortemente em programas que façam com que o nível de literacia financeira geral da nossa sociedade (suba), desde as crianças aos ‘players’ de mercado e também a sociedade civil, para que no futuro consigamos ter, como o Brasil tem, à volta dos cinco a seis milhões de investidores, temos essa capacidade”, disse.
Dilson Gaspar, administrador executivo da Bolsa de Dívidas e Valores de Angola (Bodiva) corroborou a opinião de Odair Costa, acrescentando que se for resolvido o tema da literacia financeira tudo o resto que vem em cadeia também termina.
Por sua vez, o administrador do Banco Caixa Geral de Angola, Francisco Santos, elencou os temas da melhoria do mercado interno e a nível internacional e o do cambial na captação de investidores.
“É um facto que não podemos deixar de lado – podemos fingir que não existe, mas existe – e o próprio modelo de mercado como está, a obrigar o investidor internacional a ter duas contas separadas para trabalhar no país e investir, também não é favorável, mas estou cem por cento de acordo que o maior desafio é este [falta de literacia financeira]”, referiu.
Já o presidente do conselho de administração do Instituto de Gestão de Ativos e Participações do Estado (IGAPE), Álvaro Fernão, realçou que o momento é ainda de aprendizado, com os desafios a serem “superados a cada passo”.
Álvaro Fernão sublinhou, enquanto responsável pelo Programa de Privatizações (Propriv) , que este conta já seis operações, designadamente um leilão em bolsa e seis Ofertas Pública Inicial (OPI), sendo a preocupação atual o pós-privatização das grandes empresas.
“O próximo desafio vai ser depois de esgotarmos essas grandes empresas estratégicas (…) vamos ter que olhar para as outras”, salientou.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.