PCP acusa Carlos Moedas de apoiar interesses do imobiliário em Lisboa
O PCP acusou hoje o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD), de falhar na resposta à crise da habitação e afirmou que "não é incompetência, é projeto" de apoio aos interesses do imobiliário e do turismo.
"Mais do que falhar na resposta à crise da habitação, [Carlos Moedas] assumiu uma opção clara ao lado das políticas de mercado.
Não é incompetência, é projeto.
Apoia, com as suas medidas, uma lógica em que os interesses do imobiliário e do turismo moldam a cidade para extrair dela o máximo rendimento, fazendo com que o direito a viver em Lisboa dependa apenas da capacidade financeira de cada um", criticou a deputada do PCP Sofia Lisboa, na reunião da Assembleia Municipal (AML).
A autarca comunista falava no âmbito do debate sobre o estado da cidade, que se realiza anualmente, tendo este sido o primeiro do segundo mandato de Carlos Moedas como presidente da Câmara de Lisboa e em que o autarca social-democrata assegurou que a habitação é uma prioridade.
Contestando as opções da governação PSD/CDS-PP/IL, Sofia Lisboa reforçou a oposição quanto à devolução de IRS aos munícipes, frisando que beneficia sobretudo "os mais ricos", com a autarquia a abdicar de "cerca de 90 milhões de euros em 2026", valor que o PCP considera que deveria responder aos problemas da cidade.
"Vivemos uma gravíssima crise habitacional.
Lisboa está a expulsar as suas populações. […] Os preços das casas e das rendas tornaram-se incomportáveis para uma grande parte da população", realçou a eleita do PCP.
Solidarizando-se com os milhares de manifestantes que têm protestado nos últimos dias pelo direito à habitação, Sofia Lisboa considerou "incompreensível a diferença entre a rapidez com que se executam despejos e a lentidão com que se disponibilizam casas para quem delas precisa".
Sobre a intervenção policial nas recentes manifestações em Lisboa e no Porto, a deputada advertiu que "não é com bastonadas" que se resolve a crise da habitação, mas sim "com respostas que sirvam às pessoas e não o especulador".
"Pelo que faz e deixa por fazer, esta maioria [PSD/CDS-PP/IL] deixa claro de que lado está, não do lado de quem precisa de uma casa, mas do lado de quem vê na crise da habitação uma oportunidade ainda maior de negócio", declarou a comunista, lamentado a falta de uso de milhares de imóveis devolutos na cidade e a venda de terrenos municipais em hasta pública.
Para o PCP, a crise em Lisboa "não é uma fatalidade", mas sim o resultado de escolhas políticas de PSD/CDS-PP/IL, bem como do PS, apontando como "exemplo dramático" a concessão do Quartel da Graça para um hotel.
Intervindo com 't-shirts' brancas com uma mensagem de luta pelo direito à habitação, os deputados do BE e do Livre reforçaram a necessidade de responder à crise habitacional em Lisboa.
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