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Vinte cinco anos depois do 11 de setembro, duas lições

Observador ·
Vinte cinco anos depois do 11 de setembro, duas lições

Os ataques criminosos da al-Qaida, visando deliberadamente um alvo civil, as Torres Gémeas (a par do Pentágono), a 11 de setembro de 2001, fizeram quase 3000 mortos. Foi um dos eventos marcantes do início do meu percurso de vida. Tinha estado no ano anterior em Nova Iorque e tinha adiado a visita às Torres Gémeas para uma oportunidade futura em que o tempo estivesse menos nublado, com o que aprendi a não adiar esse tipo de visitas. Marcou também o meu percurso no estudo dos conflitos armados. Foi uma das razões que me levaram a focar, no meu Doutoramento em War Studies no King’s College, no estudo dos conflitos irregulares, assimétricos, não-convencionais. Foi, sobretudo, um evento que marcou a política e a segurança globais. E voltando a um dos ensinamentos mais avisados do padre António Vieira – que até com o diabo se aprende – vale a pena ponderar duas lições importantes que podemos retirar deste quarto de século.

Estima-se que a al-Qaida – fundada em 1988, com base numa rede de apoio aos resistentes islamistas afegãos à brutal invasão soviética de 1979 – tivesse poucas centenas de homens armados e treinados em setembro de 2001. Em campo aberto, numa batalha convencional teriam sido eliminados em poucas horas pela maior potência militar do mundo, os EUA. No entanto, bastaram 19 terroristas para organizarem a partir do seu santuário afegão, providenciado pelo regime talibã, o mais bem-sucedido e mortífero ataque ao território continental dos EUA desde a invasão britânica na guerra de 1812-14. Temos muitos estudos e até um relatório oficial que deixam claro que a Administração do Presidente George W. Bush desconsiderava o terrorismo, desprezava as ameaças públicas do líder carismático da al-Qaida, Usama bin Ladin, um engenheiro saudita que trocou a empresa de construção familiar por uma empresa de destruição terrorista. Hoje é fácil criticar Bush e alguns dos seus conselheiros mais próximos. Mas a verdade é que essa era uma tendência quase universal.

Toda a disciplina das Relações Internacionais se centra tradicionalmente no estudo dos Estados e sobretudo das Grandes Potências. Os Estudos de Segurança – apesar de mais de 80% dos conflitos armados desde 1945 serem de tipo irregular, não-convencional, assimétrico – concentravam-se sobretudo nas grandes guerras convencionais entre grandes potências ou na possibilidade de uma guerra nuclear. Claro que o poder pesa muito na política internacional. Mas não basta contar canhões ou mísseis para saber quem poderá atacar com sucesso ou vencer no final. Atores mais fracos podem recorrer a ataques surpresa, a táticas de guerrilha e terrorismo como forma de reduzir vulnerabilidades e negar a atores mais poderosos vitórias fáceis e rápidas. Estamos a ver isso com o movimento armado dos Huthis no Iémen, um exército de pés descalços, mas que já controla hoje c. de 1/3 do território do país e mais de 70% da população.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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