Apenas 2% das famílias empresárias de grande património estão preparadas para vender ou transmitir o negócio
Só 2,3% das famílias empresárias com património ultraelevado estão totalmente preparadas para vender ou transferir a empresa, revela o Julius Baer Family Barometer 2026, elaborado pela Julius Baer em colaboração com a EY.
A maioria encontra-se apenas parcialmente preparada (56,3%) ou não está preparada para avançar com a transição (29,5%).
A falta de consenso familiar sobre uma eventual venda é apontada por 80% dos inquiridos como o principal obstáculo à preparação do processo, acima das questões fiscais, jurídicas e de governação, referidas por 55,4%.
A ligação emocional à empresa é a principal causa de divergências familiares, identificada por 60,6% dos respondentes.
Muitas das empresas familiares portuguesas, criadas nas décadas de 1980 e 1990, estão agora a chegar ao momento em que os seus fundadores têm de decidir quem lhes irá suceder.
O estudo, baseado num inquérito a mais de 700 profissionais financeiros que aconselham clientes de grande património, mostra ainda que o envolvimento da geração seguinte permanece limitado: apenas 18,5% das famílias envolvem ativamente os herdeiros nas decisões em condições de igualdade, enquanto 45,6% os consultam sem lhes atribuir poder de decisão.
Quando a opção é a transmissão do negócio aos descendentes, só 22,6% dos membros da nova geração são considerados devidamente preparados para assumir a gestão da empresa.
Em 65,9% dos casos, deverão reunir essas condições mais tarde, e 11,6% não demonstram interesse em assumir o negócio familiar.
Após uma eventual saída da empresa, preservar o património familiar conjunto é a principal prioridade para 79,4% dos inquiridos, seguida da clarificação dos papéis dos membros da família e da definição de um novo propósito comum.
O relatório sublinha que as famílias terão de passar de um modelo centrado num único ativo empresarial para a gestão de um património diversificado, recorrendo com maior frequência a estruturas de governação, veículos de investimento e single-family offices .
“As empresas familiares são a espinha dorsal da economia portuguesa: representam entre 70% e 80% do total das empresas, cerca de metade do emprego e aproximadamente 65% do PIB.
Muitas das empresas criadas nas décadas de 1980 e 1990 estão agora a chegar ao momento em que os seus fundadores adiaram durante décadas: decidir quem lhes irá suceder”, afirma Luís Barreto Xavier, Executive Director do Julius Baer.
Em Portugal, onde as empresas familiares representam entre 70% e 80% do total das empresas, cerca de metade do emprego e aproximadamente 65% do PIB, o planeamento da sucessão ganha particular relevância, segundo Luís Barreto Xavier, executive director da Julius Baer.
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