Sociedade Portuguesa de Matemática faz propostas para melhorar resultados
N um parecer sobre os resultados da edição do PISA (Programme for Interacional Student Assessment), o maior estudo internacional de educação realizado pela OCDE, divulgado na última terça-feira, a SPM deixa várias propostas para melhorar a situação e diz-se apreensiva com os maus resultados.
Segundo os dados divulgados, os jovens de 15 anos avaliados no ano passado voltaram a piorar a Matemática, Leitura e Ciências, agravando uma trajetória descendente, revertendo ganhos e recuando para níveis de 2003. Os alunos que fizeram a prova no ano passado tiveram 460 em Matemática.
No parecer, a SPM sugere que as provas de monitorização da aprendizagem (ModA, avaliações nacionais em formato digital) sejam transformadas "em provas consequentes, com peso real na classificação final dos alunos", à semelhança das provas finais de ciclo que vigoraram entre 2012 e 2015.
A SPM propõe também a reativação do apoio estruturado aos alunos com dificuldades, com reposição de horas de crédito às escolas, e explica porquê: "Num sistema em que mais de um terço dos alunos de 15 anos tem desempenhos ´low performer´ e em que a desigualdade socioeconómica pesa 99 pontos no desempenho a Matemática, o apoio estruturado é uma obrigação".
No parecer a que a Lusa teve acesso pede-se igualmente uma "revisão profunda" da lei, para "restabelecer a primazia do conhecimento disciplinar, repor critérios de avaliação objetivos e verificáveis", e libertar os professores da carga burocrática que substitui tempo ao ensino.
Para a SPM, avaliar o que é mensurável "não é um retrocesso", é "uma condição de rigor, de confiança e de transparência no sistema".
No longo documento, em que faz uma análise exaustiva e explica o que entende como sendo as causas para os maus resultados, a SPM pede ainda que seja retomada a certificação de manuais escolares, "como garantia mínima de qualidade e alinhamento curricular".
No documento salienta-se a trajetória de melhoria sistemática em Matemática entre 2000 e 2015 e as descidas consecutivas que se seguiram, culminando com os últimos dados, sobre 2025, com Portugal a atingir "mínimos históricos", chegando a 460 pontos (recuo de 12 pontos), menos do que os 466 de 2003.
"É com apreensão que a SPM verifica que esta tendência de queda" regista nova descida e espera que os resultados sejam "devidamente considerados" pelas entidades competentes.
E aponta causas para os maus resultados: a abolição de provas finais de 4.º e 6.º ano, mudanças curriculares radicais que menosprezam o conhecimento em favor de competências pouco claras, a interrupção de um eficaz sistema de acompanhamento de resultados e de horas de crédito proporcionadas às escolas, e a suspensão da avaliação de manuais escolares a meio de ciclos avaliativos.
Há uma leitura que a SPM aponta face aos resultados: o país regrediu para um patamar que já tinha ultrapassado há mais de duas décadas, com "um aluno de 15 anos em 2025 a apresentar em média um desempenho equivalente a um aluno com pouco mais de 13 anos em 2018".
É, aponta, o culminar de um percurso documentado e sinalizado pela SPM nos últimos 10 anos, quando os dados apontavam em cada momento de avaliação para "uma degradação prog
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