Islândia decide se vai negociar adesão à UE que pode materializar-se em 2028
E sta consulta, no entanto, não é definitiva, pois uma eventual vitória do "sim" apenas constitui uma "luz verde" à reabertura de negociações, devendo os islandeses regressar às urnas caso estas cheguem a bom porto, para dizerem se concordam com o eventual acordo de adesão.
Definitiva será, pelo menos num horizonte de muitos anos, uma vitória do "não", como tem advertido o Governo islandês, que faz campanha pelo "sim".
Adesão volta à ordem do dia após uma primeira tentativa de adesão abortada
Esta é a segunda vez que uma eventual adesão da Islândia à UE está sobre a mesa, depois de uma primeira candidatura, avançada em 2009, ter sido retirada unilateralmente por Reiquejavique.
A Islândia apresentou a candidatura à adesão na sequência da crise financeira global de 2008, que levou ao colapso do setor bancário do país, sobrecarregado pela dívida soberana, e na altura a questão não foi levada a referendo.
Todavia, ao fim de anos de negociações, com a chegada ao poder de uma coligação eurocética, Reiquejavique decidiu abandonar a candidatura, enviando em 2015 uma carta a Bruxelas a dar conta de que já não tencionava aderir ao bloco comunitário.
Na altura, a economia islandesa já tinha recuperado de forma robusta, retirando um dos principais incentivos à adesão, e o apoio público à entrada na UE esmorecera à medida que as negociações ficavam bloqueadas na questão sensível das pescas.
A chegada ao poder de uma coligação pró-UE em 2024 voltou a colocar a adesão à UE na agenda política islandesa.
Em janeiro último, intervindo no Fórum de Davos, o Presidente norte-americano insistiu no desejo de anexar a Gronelândia, um "pedaço de gelo, frio e mal localizado", ao qual se referiu erradamente, por quatro vezes, como Islândia.
As ambições expansionistas de Donald Trump, num contexto em que o Ártico é muito cobiçado pelas grandes potências mundiais devido aos minerais raros e novas rotas comerciais, constituiu mais um estímulo para o atual governo de coligação pró-UE, que já tinha no programa o reinício das negociações de adesão ao bloco comunitário, acelerar o processo e realizar sem mais demoras esta consulta.
Num relatório publicado este ano, o Ministério dos Negócios Estrangeiros islandês assumia que o sistema internacional que se conhecia desde o final da Segunda Guerra Mundial estava "a tremer" e apontava que uma cooperação mais estreita com a UE era "uma variável-chave" para proteger os interesses da Islândia.
Com Rússia e China também muito interessadas em garantir os recursos do Ártico, e também à luz da agressão militar russa à Ucrânia, as questões relativas às alianças globais estão a tornar-se cada vez mais cruciais para os 270.000 eleitores islandeses chamados às urnas.
O antigo presidente da câmara de Reiquejavique Dagur Eggertsson, uma figura proeminente na campanha pró-UE do "sim", advertiu recentemente que as ameaças de Trump à Gronelândia estão a pesar na mente dos eleitores, pois, sublinhou, "esta questão não está resolvida" e a administração norte-americana gostaria mesmo de controlar a Gronelândia, cuja costa fica a menos de 300 quilómetros da Islândia, tal como reafirmou o Presidente dos EUA na última cimeira da NATO, em j
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