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Luís Neves falou da Construbarcelos ao ex-secretário-geral do MAI antes de rebentar o escândalo

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Luís Neves falou da Construbarcelos ao ex-secretário-geral do MAI antes de rebentar o escândalo

A Construbarcelos foi uma das empresas de que Luís Neves falou ao então secretário-geral do Ministério da Administração Interna, numa reunião sobre obras em instalações das forças de segurança. A revelação é feita por Ricardo Carrilho, afastado esta semana do cargo, numa entrevista ao Nascer do SOL.

O antigo dirigente garante que a conversa aconteceu logo na primeira semana após a tomada de posse de Luís Neves, em fevereiro deste ano, muito antes de o escândalo envolvendo a construtora se tornar público.

"O senhor ministro falou-me da Construbarcelos muito antes de o escândalo rebentar", afirma Ricardo Carrilho.

A Construbarcelos, do empreiteiro João Santos Carvalho, amigo de Luís Neves, foi contratada para realizar obras na Polícia Judiciária, quando o atual ministro dirigia aquela instituição, e executou também trabalhos em propriedades particulares de Luís Neves.

Segundo Ricardo Carrilho, o ministro referiu conhecer várias empresas com as quais tinha trabalhado na Polícia Judiciária e que poderiam executar obras em postos da GNR e esquadras da PSP com rapidez e qualidade. Entre elas estava a Construbarcelos.

Em causa estavam cerca de 300 instalações das forças de segurança, com intervenções em diferentes fases de execução ou lançamento.

Na entrevista, Ricardo Carrilho revela que Luís Neves pretendia recorrer aos mecanismos excecionais previstos no Código dos Contratos Públicos, alegando tratar-se de instalações das forças de segurança, para dispensar a realização de concursos públicos.

O ex-secretário-geral garante que se opôs a essa possibilidade por considerar que não existia fundamento legal para aplicar esses procedimentos à construção de postos da GNR e esquadras da PSP.

"Disse-lhe que não ia aceitar fazer ajustes diretos uma vez que não havia fundamento legal para o efeito. Penso que foi isso que ditou a minha sentença de morte", afirma.

Ricardo Carrilho acredita que a recusa em avançar com os ajustes diretos contribuiu para o seu afastamento.

Segundo o antigo dirigente, estavam em curso cerca de 200 milhões de euros em obras, num total de compromissos de intervenção que ascendia a 600 milhões de euros até 2031.

As revelações de Ricardo Carrilho estendem-se a outro contrato público.

O antigo secretário-geral garante que Luís Neves se reuniu com o dono da SolMaior antes de existir sequer um caderno de encargos para um concurso de 4,5 milhões de euros, que a empresa viria a ganhar em consórcio com a DST.

O procedimento destinava-se ao fornecimento de equipamentos de comunicações através da tecnologia Starlink a freguesias e municípios.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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