Dívida portuguesa é vista como “ativo de refúgio”, diz Secretário de Estado do Orçamento
O Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento, José Maria Brandão de Brito, considerou esta quarta-feira que as obrigações soberanas portuguesas são “tidas como ativos de refúgio” , o que atribui a uma “postura de responsabilidade e tranquilidade na gestão financeira do Estado”.
O responsável falava no debate parlamentar sobre a Conta Geral do Estado de 2025 (CGE2025), quando explicou que a confiança dos investidores tem sido ganha num período de “grande instabilidade geopolítica”, o que associou aos “ pequenos excedentes orçamentais que têm permitido reduzir a dívida pública em percentagem do Produto Interno Bruto (PIB) de forma sustentável “.
Portugal foi o quarto país do euro que mais cortou a dívida Ler Mais Ainda assim, na última emissão de dívida , o Estado colocou 769 milhões de euros a dez anos, pagando um juro de 3,9%, o valor mais elevado num leilão desta maturidade desde 2014 .
Nessa colocação, os investidores apresentaram ofertas 1,62 vezes acima do montante angariado, o que compara com 2,38 vezes na última emissão comparável em julho deste ano.
Esta quarta-feira, os juros da dívida nacional terminaram a sessão nos 3,945% , ao passo que a yield alemã, de referência para o bloco, ronda os 3,42%.
O spread figura nos 52 pontos base, o valor mais elevado deste ano .
No final do segundo trimestre Portugal foi o quarto país da Zona Euro que mais cortou a dívida pública no último ano , de 95,9% para 92,5% do PIB, uma descida de 3,4 pontos percentuais.
Apesar desse movimento, o país continua entre os mais endividados do espaço da moeda única , ocupando o sexto lugar entre os 21 Estados-membros com maior rácio da dívida pública face ao PIB.
No entanto, a distância face à média da Zona Euro diminuiu .
Dívida pública desce para 84,5%, mas juros sobem 23% Ler Mais Na proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027), o Governo inscreveu uma descida do rácio da dívida pública sobre o PIB para 84,5% no final do próximo ano , menos três pontos percentuais do que os 87,5% estimados para este ano, cuja previsão ficou inalterada face ao anterior OE.
A dívida estava em 89,2% do PIB em 2025 e em 93% em 2024 .
O relatório indica que, em 2025, ficou cerca de 4 pontos percentuais abaixo da trajetória acordada com a Comissão Europeia .
Governo compromete-se com parecer positivo do Tribunal de Contas até ao final da legislatura Depois de o Tribunal de Contas ter considerado que a Conta Geral do Estado (CGE) de 2025 não está em conformidade com a Lei de Enquadramento Orçamental (LEO) , recusando assim a sua certificação , o Secretário de Estado Adjunto e do Orçamento comprometeu-se a, até ao final da legislatura (2029) “cumprir com o que é exigido” .
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