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Nepal: "O que querem que façamos com pensos se não temos roupa interior?"

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Nepal: "O que querem que façamos com pensos se não temos roupa interior?"

S em teto, sem víveres, sem água ou quase nada foi como ficaram muitos dos que sobreviveram à onda de água, gelo, lama, rochas e detritos que matou mais de mil pessoas no Nepal e na China.

Dezenas de mulheres deslocadas numa escola transformada em centro de acolhimento no distrito de Nuwakot aguardavam hoje de manhã em fila para receber um 'kit' de higiene pessoal.

"Há sérias preocupações de privacidade e de higiene", comentou uma delas, Anju Bhujel, 40 anos, à agência francesa AFP.

Bhujel não teve outra alternativa senão juntar-se ao campo improvisado com os dois filhos desde que a cheia destruiu a casa da família.

Como nenhuma está ligada à água corrente, a higiene íntima tornou-se um problema grave para todas as residentes forçadas do campo.

"Uma ONG [organização não-governamental] está a distribuir-nos pensos higiénicos, mas não sabemos o que fazer aos que já foram usados", disse Anju Bhujel.

Contou que encontram "alguns espalhados pelo chão em redor das casas de banho".

"Dão-nos pensos, mas não nos dão roupa interior", acrescentou Yogita Tamang, cuja família inteira de 20 pessoas vive apertada numa única sala de aula.

"O que querem que façamos com pensos se não temos roupa interior?", desabafou, à beira das lágrimas.

Como muitos outros sobreviventes, Anju Bhujel e a família tiveram apenas alguns minutos para escapar à forte vaga de água e destroços que destruiu a aldeia.

As autoridades, as ONG e as agências das Nações Unidas asseguram o acolhimento e a alimentação básica, mas, dada a dimensão da catástrofe, o abastecimento continua frágil.

"Não só não há água nas casas de banho, como também há escassez de água potável. As ONG dão-nos garrafas, mas nem sempre de forma regular", disse Yogita Tamang.

A situação das mulheres e raparigas deslocadas preocupa particularmente as organizações humanitárias.

A sobrelotação dos campos de acolhimento de emergência e a falta de privacidade que lhes impõe podem aumentar os riscos de assédio e reduzir o acesso das vítimas à ajuda, alertou a ONU Mulheres.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.

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