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Portugal está a ficar demasiado caro para os portugueses?

Diário de Notícias ·

Portugal conseguiu, na última década, algo que durante muito tempo almejou: tornar-se um país desejado.

Somos procurados por turistas, investidores, novos residentes e reformados.

Lisboa e Porto ganharam visibilidade internacional, o turismo bateu recordes e Portugal surge regularmente nos rankings de países mais seguros e atrativos para viver.

É uma história de sucesso, mas, como acontece muitas vezes, o sucesso tem um preço.

Quanto mais desejado se torna um território, maior é a pressão sobre aquilo que não pode ser importado: o próprio território.

A procura aumenta, mas a oferta de habitação reage lentamente.

O resultado está à vista: comprar ou arrendar casa está a tornar-se incomportável para uma parte crescente da população, sobretudo nos grandes centros urbanos e nas zonas de maior pressão turística.

Contudo, talvez estejamos a formular mal o problema.

Portugal não está necessariamente caro – está é demasiado caro para o rendimento dos portugueses.

Uma casa de 500 mil euros pode ser inacessível para uma família que depende de dois salários médios, mas perfeitamente razoável para quem chega de Paris, Londres ou Nova Iorque.

Aliás, o problema não se limita à habitação.

Com efeito, do mesmo modo que um apartamento, o mesmo restaurante ou o mesmo serviço podem ser simultaneamente caros e baratos, tudo dependendo das possibilidades de quem compra.

Ora é exatamente aqui que reside o verdadeiro paradoxo.

Conseguimos valorizar Portugal mais depressa do que conseguimos valorizar o trabalho dos portugueses.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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