Guterres aconselha sucessor a ser independente e seguir a consciência
"N ão tenho nenhum conselho a dar ao meu sucessor, a não ser dizer: seja você mesmo, seja independente e atue de acordo com a sua consciência", defendeu Guterres, num conferência de imprensa em Nova Iorque.
António Guterres deixará o cargo de secretário-geral da ONU no final de dezembro, após completar dois mandatos consecutivos de cinco anos na liderança da organização.
No total, e até à data, são oito os candidatos ao cargo: a antiga presidente chilena Michelle Bachelet, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, a ex-vice-presidente da Costa Rica Rebeca Grynspan, o ex-presidente senegalês Macky Sall, a antiga ministra dos Negócios Estrangeiros do Equador María Espinosa Garcés, a diplomata da Guiana Carolyn Rodrigues Birkett, o diplomata ugandês Olara Otunnu e a diplomata equatoriana Ivonne A-Baki.
Seguindo uma tradição geográfica nem sempre respeitada, a América Latina disputa a posição desta vez, o que explica o facto de a maioria dos candidatos ser deste continente.
Muitos países também defendem que uma mulher deve ocupar o cargo pela primeira vez nos 80 anos de história da ONU.
A decisão final dos 15 membros do Conselho de Segurança da ONU (cinco permanentes e dez não-permanentes) poderá estar finalizada entre agosto e outubro.
Espera-se que no final deste ano a Assembleia Geral da ONU formalize a nomeação, mas a data ainda não foi fixada.
Questionado hoje sobre a principal lição que levar dos últimos 10 anos à frente da ONU, o antigo primeiro-ministro português apontou para a necessidade de reformar as instituições multilaterais.
"Num mundo cada vez mais multipolar, é absolutamente essencial reformar as instituições multilaterais para que sejam eficazes na promoção da paz, do desenvolvimento e dos direitos humanos, que são os três pilares da ONU", referiu.
A pessoa que suceder a Guterres enfrentará um contexto mundial complexo, marcado por tensões geopolíticas e conflitos crescentes, pressão sobre o financiamento do desenvolvimento e da própria organização, rápidas mudanças tecnológicas e o aquecimento global, fatores que continuam a testar o sistema internacional.
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