Trump ameaça Europa com novas tarifas por causa do Canadá
Como era fácil de prever, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou a União Europeia com “tarifas severas” e um corte no comércio bilateral se o bloco avançar na proposta de tornar o Canadá o seu primeiro membro associado – uma figura que não está prevista no edifício jurídico do bloco, apesar das relações especiais com alguns países – como a Noruega, a Suíça ou a Islândia.
Trump sugeriu que a medida é “um ato hostil”, que pode levar a que os EUA imponham “tarifas muito altas ou interrompam o comércio com a Europa”.
E acrescentou: “se a intenção for boa, tudo bem.
Se for má, imporemos tarifas muito pesadas à Europa.” Trump reserva-se a capacidade de decidir sobre a ‘maldade’ ou a ‘bondade’ da medida – apesar de os canadianos já terem dito que estão tão pouco interessados em serem o 28º membro da União como em serem o 51º Estado dos norte-americanos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, insistiu esta quarta-feira, 16 de setembro, que “esta não é uma parceria contra ninguém, mas sim para a nossa força comum”, e o porta-voz adjunto, Olof Gill, repetiu esta posição esta manhã em resposta às ameaças de Trump feitas durante a noite.
Mas, o facto de von der Leyen ter dito a frase “não é contra ninguém”, indica que a presidente da União sabia que a medida iria merecer uma resposta robusta da parte de Washington.
Mark Carney, primeiro-ministro canadiano, que irá discursar demtro de minutos no Parlamento Europeu, também sabia disso.
O Canadá e os Estados Unidos estão envolvidos em discussões sobre os seus próprios acordos comerciais – juntamente com o México.
Nessa frente, as relações entre ambos não têm sido as melhores.
A presidente do Parlamento Europeu, Roberta Metsola, declarou à agência Euronews que países como a Austrália e a Nova Zelândia poderão seguir o Canadá e tornar-se “membros associados” da União Europeia, à medida que nações com interesses semelhantes tentam encontrar laços mais estreitos.
Ou seja, o sistema tem tudo para incomodar Donald Trump.
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