INE revela “dificuldades” na transmissão de dados da AIMA . “Em maio de 2026, ainda estava a receber informação de 2025”
O presidente do Instituto Nacional de Estatística (INE), António Rua, reconheceu esta terça-feira que houve “dificuldades na transmissão” de informação da Agência para a Integração, Migrações e Asilo (AIMA) para o instituto, no processo que esteve na origem da revisão em alta das estimativas da população residente para 11,4 milhões de habitantes .
Apesar dos constrangimentos, assegurou que o INE fez “todas as diligências” para obter os dados com a maior rapidez possível.
“Em relação à interação com a AIMA, o INE usa um conjunto muito alargado de bases de dados.
O INE procurou articular com a AIMA a informação o mais depressa possível” , afirmou António Rua durante uma audição na Comissão de Orçamento, Finanças e Administração Pública (COFAP), requerida pelo grupo parlamentar do PS para esclarecer as novas estimativas da população residente e as revisões das séries de 2021 a 2024.
Portugal tem mais residentes e menos riqueza por habitante Ler Mais O presidente do INE revelou, contudo, que o processo de transmissão dos dados da AIMA se prolongou no tempo.
“Houve dificuldades na transmissão de dados da AIMA para o INE” , afirmou, acrescentando que, apesar dos esforços desenvolvidos pelo instituto, “em maio de 2026, ainda estava a receber informação de 2025”.
António Rua sublinhou o “esforço muito assinalável” desenvolvido pelo INE para integrar a informação disponível e defendeu que a transmissão dos dados deveria ter ocorrido “com a maior celeridade possível”, embora tenha remetido os atrasos para “vicissitudes” do processo.
A questão da informação da AIMA ganhou particular relevância depois de o INE ter alterado a metodologia utilizada para calcular a população residente.
Até então, as estimativas assentavam essencialmente na metodologia associada aos Censos.
A partir das Estimativas da População Residente de 2025, o instituto passou a recorrer à integração de múltiplas fontes administrativas e a métodos de indícios de residência.
Segundo o próprio INE, esta nova abordagem envolveu a integração de milhões de registos individuais e permitiu estimar que Portugal tinha 11.424.031 residentes em 31 de dezembro de 2025.
A população de nacionalidade estrangeira ascendia a 1.597.539 pessoas, correspondendo a 14% do total.
A revisão da população teve também efeitos retroativos.
E ntre 2021 e 2025, o INE estima agora um aumento da população residente de 824.914 pessoas , com os maiores acréscimos concentrados em 2022, 2023 e 2024, anos marcados por fluxos migratórios elevados. (Notícia em atualização)
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