Jovem marroquino foge de Ceuta escondido em autocarro do Real Valladolid
U m jovem marroquino de 17 anos fugiu de Ceuta escondido entre as rodas e o eixo do autocarro do clube de futebol Real Valladolid. O sucedido aconteceu no domingo depois de a equipa ter jogado na cidade autónoma de Espanha.
A viagem de regresso dos jogadores a Valladolid revelou-se bastante atribulada, depois de terem começado a ouvir gritos e pancadas vindas da parte debaixo do autocarro.
Após cerca de uma hora e meia de viagem, o autocarro parou numa área de serviço perto da fronteira entre Cádiz e Sevillha, contou uma testemunha ao jornal espanhol "El País".
Ora, nesse momento, um adolescente de origem marroquina saiu da parte debaixo do autocarro depois de o veículo ter percorrido mais de 100 quilómetros. O jovem de 17 anos revelou que queria chegar ao Centro de Detenção Juvenil de Algeciras, em Cádiz.
"Fizemos o que tínhamos que fazer. Demos-lhe comida, água e assistência médica. O menino estava muito cansado. É incrível que tenha aguentado tanto", apontou fonte do clube ao "El País".
A viagem de regresso dos jogadores só retomou depois de uma ambulância ter chegado à área de serviço, que confirmou que o menor se encontrava bem de saúde.
Posteriormente, uma patrulha da Guardia Civil tomou conta da ocorrência e o jovem marroquino foi hospitalizado.
Já de acordo com a Telecinco, o menor foi assistido no Hospital de Jerez de La Frontera, tendo sido submetido a diversos exames médicos.
Depois dos exames, o jovem de 17 anos recebeu alta hospitalar e o caso foi encaminhado para o Ministério Pública da Infância e Juventude.
O vice-presidente do Real Valladolid, Jorge Santiago, afirmou, em entrevista, que o jovem estava "muito desorientado".
"Este miúdo caiu de debaixo do autocarro ou estava a tentar sair. Realmente, acho que caiu porque estava muito desorientado" , referiu.
Jorge Santiago notou ainda que toda a equipa técnica e jogadores ficaram "chocados" com a situação, acrescentando que "nunca tínhamos presenciado nada parecido, alguém a arriscar a vida para chegar a outro país".
De recordar que Ceuta vive uma crise migratória desde o final de julho, depois de milhares de migrantes terem entrado a nado na cidade autónoma espanhola.
Segundo dados mais recentes do governo espanhol, há cerca de 6.000 adultos e 2.000 menores referenciados e registados em centros de acolhimento, com vista à abertura de processos de repatriamento ou concessão de asilo, mas entre 3.000 a 3.500 pessoas continuam nas ruas, sem haver para já capacidade em Ceuta para alojamento.
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