Custos agrícolas sobem e ameaçam pressionar (ainda mais) preços dos alimentos
A inflação alimentar tem vindo a subir em Portugal desde o verão do ano passado, mas os custos que determinam os preços das próximas colheitas ameaçam ainda mais o poder de compra dos portugueses.
Os fertilizantes aumentaram 13,4% na União Europeia no segundo trimestre e os azotados chegaram a estar 71% acima da média de 2024, pelo que o Fundo Monetário Internacional (FMI) alerta que o choque provocado pela crise do Médio Oriente pode chegar aos preços dos alimentos com atraso, agravando-os mais, mas pede que os subsídios aos preços “sejam, idealmente, evitados”.
Os dados divulgados na quarta-feira pelo Eurostat revelam que a taxa de inflação na Zona Euro acelerou para 3,2% em agosto, o que compara com os 2,9% registado em julho, impulsionada sobretudo pelos preços da energia.
Valores que colocam o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) em Portugal acima da média, ao situar-se em 2,6% em agosto.
Quando analisando a inflação medida pela variação do Índice de Preços no Consumidor (IPC) — que exclui a despesa realizada por não residentes e turistas — verifica-se que a taxa em Portugal se fixou em 3,3% em agosto de 2026, taxa superior em 0,3 pontos percentuais (p.p.) à registada no mês anterior .
Uma aceleração quase na totalidade explicada pelo aumento do preço do gasóleo, também visível no facto do indicador de inflação subjacente (índice total excluindo produtos alimentares não transformados e energéticos) ter registado uma variação homóloga de 2,6%, enquanto o índice referente aos produtos alimentares não transformados passou de 3,7% em julho para 3,4% em agosto.
Inflação de agosto na Zona Euro revista em baixa para 3,2% Ler Mais Contudo, num artigo publicado pelo FMI no seu blogue, intitulado “O que os governos devem fazer quando os preços disparam”, os autores recordam que a possibilidade de um El Niño mais intenso, ou mesmo de um ‘super El Niño, voltou a suscitar preocupações quanto à segurança alimentar em regiões agrícolas vulneráveis, ao mesmo tempo que uma escalada da guerra no Médio Oriente poderá “perturbar ainda mais o abastecimento de fertilizantes e de energia, aumentando os custos de produção dos agricultores e, potencialmente, fazendo subir os preços”.
Os dados do Eurostat, divulgados a 10 de setembro, revelam que apesar do preço médio da produção agrícola na União Europeia ter diminuído 5,8% no segundo trimestre, em comparação com igual período de 2025, o preço médio dos fatores de produção agrícolas — isto é, bens e serviços consumidos na agricultura e não relacionados com o investimento, como a energia, os fertilizantes ou os alimentos para animais — aumentou 4,7% entre abril e junho , após um período de relativa estabilidade dos preços ao longo do ano passado e até ao primeiro trimestre deste ano.
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