Indústria do calçado: microempresas dominam sector com 67% do tecido empresarial
A indústria do calçado portuguesa mantém uma estrutura assente em micro e pequenas empresas, que representam 94% do tecido empresarial do sector, de acordo com uma análise da Iberinform.
Os dados revelam ainda que o sector conseguiu melhorar os prazos médios de pagamento e de recebimento em 2025, apesar da ligeira retração do volume de negócios e da taxa de exportação.
Segundo o estudo, as microempresas concentram 67% das empresas do sector, enquanto as pequenas empresas representam 27%.
Ao mesmo tempo, o sector apresenta um elevado grau de maturidade: mais de 60% das empresas têm mais de 15 anos de atividade, e as que ultrapassam 25 anos representam 19% do total — um sinal da capacidade de adaptação de um setor exposto a uma concorrência internacional intensa.
Do ponto de vista financeiro, o destaque do relatório vai para a evolução dos prazos médios.
O prazo médio de pagamento diminuiu de 80 para 71 dias — uma redução de cerca de 11% —, enquanto o prazo médio de recebimento passou de 65 para 63 dias.
Para a Iberinform, esta tendência “sugere uma melhoria da eficiência financeira e da gestão de tesouraria”, num contexto económico marcado por desafios ao nível da procura internacional.
O volume de negócios agregado das empresas com informação financeira disponível atingiu 2.015 milhões de euros em 2025, abaixo dos 2.159 milhões registados no ano anterior.
A taxa de exportação reduziu-se ligeiramente, de 57,6% para 55,6%, mas o sector mantém uma forte orientação para os mercados externos, gerando mais de metade do volume de negócios através das exportações.
No que diz respeito ao perfil de risco, apenas 7% das empresas apresentam risco máximo, sendo que 93% se enquadram em níveis de risco elevado, médio ou baixo — o que evidencia, segundo o estudo, um perfil globalmente controlado.
A análise confirma ainda a forte concentração geográfica da atividade: o Porto concentra 48% das empresas analisadas e Aveiro 31%, num claro domínio da região Norte no panorama da indústria do calçado.
No global, a Iberinform conclui que se trata de um “setor maduro, fortemente concentrado na região Norte, com níveis de risco controlados e melhorias nos indicadores de gestão financeira”.
Apesar da desaceleração moderada de 2025, a indústria do calçado continua a destacar-se pela capacidade exportadora e pela solidez do tecido empresarial que sustenta uma das atividades mais emblemáticas da indústria transformadora portuguesa.
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