Custo de vida desgasta Montenegro e coloca pressão sobre Orçamento do Estado
O aumento dos preços dos alimentos, dos combustíveis e da habitação está a abrir uma nova frente de desgaste para o Governo de Luís Montenegro e deverá entrar diretamente na discussão do Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
Os politólogos ouvidos pelo ECO consideram que a perda de poder de compra tende a deteriorar a perceção sobre a atuação do Executivo e antecipam um debate orçamental marcado por propostas da oposição com impacto nas contas públicas.
A questão será levada esta sexta-feira ao Parlamento pelo PS, que marcou um debate de urgência sobre o “custo de vida”.
Oposição quer baixar IVA e ISP para travar preços Ler Mais Para André Azevedo Alves, professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa, o impacto político da subida dos preços é “claramente negativo”.
O politólogo reconhece que “as causas sejam em boa parte alheias à atuação do Governo, nomeadamente as relacionadas com a conjuntura internacional”, mas entende que o Executivo não fica totalmente ileso: “A AD prometeu criar condições para um dinamismo económico que não está a ser capaz de concretizar pela sua incapacidade de reformar, pelo que uma parte da responsabilidade fica também com o Governo”, aponta.
Na mesma senda, Bruno Ferreira Costa, professor de Ciência Política da Universidade da Beira Interior (UBI), identifica o custo de vida como “um dos elementos centrais para a análise do eleitorado à ação do Governo”.
O atual contexto, diz, “não é favorável ao Governo”, podendo assistir-se “no curto e médio prazo, a um aumento do descontentamento da população face à ação do Governo” .
E destaca particularmente os combustíveis pelo “efeito de contágio sobre o custo de acesso a um conjunto mais vasto de serviços”.
Paula do Espírito Santo, professora do Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) da Universidade de Lisboa, coloca o impacto ainda mais diretamente na relação quotidiana dos eleitores com o Governo.
“A popularidade do Governo é afetada na medida em que há uma sensação imediata de perda de poder de compra, no dia-a-dia ”, afirma.
A AD prometeu criar condições para um dinamismo económico que não está a ser capaz de concretizar pela sua incapacidade de reformar, pelo que uma parte da responsabilidade fica também com o Governo.
André Azevedo Alves Professor do Instituto de Estudos Políticos da Universidade Católica Portuguesa Já Sílvia Mangerona, politóloga, investigadora e professora universitária, considera que o aumento do custo de vida funciona como um “detonador do descontentamento dos eleitores”.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.