Inspetores da IGF integram órgãos sociais da RTP há pelo menos há 27 anos
A Inspeção-Geral de Finanças (IGF), que considerou indevidos determinados subsídios na RTP, teve quatro inspetores dos seus quadros nos órgãos sociais da empresa desde 1999, sem que a atual administração conheça alertas sobre os pagamentos agora identificados.
A presença nos órgãos responsáveis pela fiscalização da gestão e das contas do universo da RTP dura há pelo menos 27 anos.
Chega quer auditoria à gestão financeira na RTP De acordo com uma análise da Lusa aos relatórios do governo societário da RTP e aos atos societários públicos online no registo comercial, três inspetores fizeram parte do conselho fiscal desde 2012 e, num período anterior, um outro inspetor exerceu as funções de fiscal único.
Fonte oficial da RTP garantiu à Lusa que “ tanto quanto é do conhecimento do atual Conselho de Administração [liderado desde 2021 por Nicolau Santos], nunca houve nenhum alerta sobre uma eventual irregularidade nos subsídios identificados pelo projeto de relatório da IGF “, conhecido recentemente.
Os cargos dos inspetores de Finanças no grupo de media público foram desempenhados em acumulação de funções com o trabalho na IGF, serviço de topo do Estado responsável pela auditoria e inspeção à gestão financeira no perímetro da Administração Pública portuguesa, autarquias e empresas públicas, o que inclui a RTP.
O ‘caderno de encargos’ para a nova administração da RTP Entre 2012 e 2018, o inspetor da IGF João Cravina Bibe foi vogal do conselho fiscal da RTP.
De 2012 a 2021, fez parte deste órgão, também como vogal, o inspetor da IGF José Manuel Fusco Gato.
De 2018 até ao momento, pertence ao conselho fiscal da RTP, igualmente como vogal, a inspetora Lídia Vasco Antunes, chefe de equipa multidisciplinar da IGF.
Anteriormente, quando o órgão de fiscalização da RTP era um fiscal único e não um conselho fiscal, a certificação legal das contas foi realizada durante vários anos pelo inspetor da IGF Carlos Trigacheiro.
RTP diz que estão reunidas condições para manter subsídios O seu currículo refere que exerceu funções de revisor oficial de contas da RTP de 1999 a 2014.
A informação disponível na publicação online de atos societários no registo comercial refere-se a um período mais recente, permitindo confirmar que foi designado fiscal único do grupo público em 2008 e designado ROC em 2009, mantendo-se nessas funções até outubro de 2014.
Nenhum destes inspetores integrou a auditoria à RTP.
Dos quatro, Carlos Trigacheiro já está reformado e Fusco Gato é atualmente diretor do departamento de gestão de participações do Estado (DGPE), na Entidade do Tesouro e Finanças (ETF).
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