960 mil denúncias de abuso infantil em 2025 no Brasil
O secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil disse à Lusa que o país vive uma “verdadeira epidemia de crimes digitais”, com mulheres, crianças e adolescentes entre as principais vítimas.
“Fica muito claro que o Brasil vive uma epidemia de crimes digitais, em especial crimes voltados a populações vulneráveis, como crianças e adolescentes e mulheres, que são os principais alvos desses crimes”, afirmou Victor Fernandes.
O alerta é reforçado por dados do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), também do Ministério da Justiça e Segurança Pública, segundo o coordenador e delegado de polícia Alesandro Gonçalves Barreto.
Criado em 2017, o Ciberlab é uma unidade especializada de apoio às polícias estaduais no combate a crimes praticados na internet , trabalhando também com a Polícia Federal e o Ministério Público para identificar criminosos.
Entre 2025 e 2026, o laboratório recebeu 143 ocorrências , sendo a automutilação ou autolesão a classificação mais recorrente, com 31 casos (38,8%), seguida de ameaça escolar ou planeamento de atentado, com 30 ocorrências (37,5%).
Também foram registadas 17 ocorrências de violência contra pessoas em situação de rua (21,3%), 16 de maus-tratos ou violência contra animais (20%), 11 de exploração sexual infantojuvenil (13,8%) e 11 de suicídio ou indução ao suicídio (13,8%).
Alesandro Barreto ressalvou que os dados não representam a totalidade dos crimes no Brasil , mas apenas as ocorrências que chegam ao Ciberlab, uma unidade de apoio que auxilia as polícias estaduais nas investigações.
O laboratório emitiu 1.800 alertas em 2025 e outros mil no primeiro semestre deste ano, segundo o coordenador, que destacou a evolução constante das tecnologias utilizadas pelos criminosos para tentar escapar à aplicação da lei penal.
Nesta semana, a Secretaria Nacional de Direitos Digitais identificou, no primeiro levantamento online desde a entrada em vigor, em maio, do decreto de proteção da mulher no ambiente digital.
Ao todo, foram assinaladas 80 páginas de internet que oferecem serviços em que se consegue manipular imagens de mulheres por inteligência artificial ( deep nudes ) para as apresentar virtualmente nuas.
Os 80 endereços eletrónicos foram encaminhados à Polícia Federal, à Agência Nacional de Proteção de Dados para análise e eventual adoção de medidas de investigação, preservação de registos e bloqueio.
A Secretaria Nacional de Direitos Digitais já havia identificado 32 aplicações com estas funcionalidades, disponíveis nas lojas Apple e Google, que foram notificadas e posteriormente removidas e tornadas indisponíveis.
Victor Fernandes afirmou que alguns serviços são comercializados em grupos fechados, com pagamentos através de Pix e criptoativos, apontando indícios de uma cadeia financeira sofisticada associada a parte desse ecossistema.
Questionado pela Lusa sobre os principais desafios para se enfrentar os crimes digitais, com as plataformas e as grandes empresas tecnológicas, o secretário salientou a colaboração ativa dessas empresas, explicando que estas têm acesso aos conteúdos e ao rasto digital deixado pelos criminosos e podem ajudar as aut
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