O futuro cabe num grão de milho no interior do Brasil: conheça o maior produtor mundial de etanol
Se, segundo Jesus Cristo no evangelho de Mateus, o “reino dos céus” é como “um grão de mostarda”, então, no reino da terra firme que pisamos no século XXI, é o grão de milho que merece a parábola, com perdão de eventual sacrilégio.
Do precioso cereal, tão precioso que até tem a mesma cor do ouro, colhe-se óleo vegetal, para a alimentação humana, DDGS, para a alimentação animal, eletricidade renovável, a partir da biomassa, bebidas, medicamentos e, claro, etanol, o combustível que há anos faz automóveis circularem e hoje já ajuda navios a navegar e aviões a voar.
Essa sensação de que o futuro do planeta cabe num grão de milho foi inevitável na visita do DN Brasil a uma planta da Inpasa, maior produtor de etanol de milho da América Latina e segundo maior do mundo, atrás apenas da norte-americana Poet, na cidade de Dourados, no Mato Grosso do Sul, região Centro-Oeste do Brasil.
A Inpasa, fundada pelo brasileiro José Odvar Lopes, empresário nascido em Presidente Bernardes, São Paulo, há 70 anos, começou em 2006 no Paraguai, “onde a planta inaugural serviu de Frankenstein para o resto da operação” , segundo Luciane Hermes, diretora industrial da Inpasa, e está no Brasil desde 2018.
O grupo transformou o milho numa plataforma industrial que vai muito além da produção de etanol, com oito unidades industriais, duas no Paraguai e seis no Brasil, entre as quais a de Sinop (Mato Grosso), a maior, a de Dourados, que o DN Brasil conheceu, e mais duas em construção, em Rio Verde, Goiás, e em Rondonópolis, Mato Grosso.
Por ano, a Inpasa processa cerca de 15 milhões de toneladas de grãos e tem capacidade para produzir 6,7 mil milhões de litros de etanol, 3,5 milhões de toneladas de DDGS, o tal co-produto utilizado na alimentação animal cuja sigla inglesa Dried Distillers Grains with Solubles se pode traduzir por Grãos Secos de Destilaria com Solúveis, 340 mil toneladas de óleo vegetal e 1903 GWh de eletricidade renovável.
Exporta para mais de 40 países, incluindo Portugal, e investiu mais de 5,5 bilhões de dólares [4,9 bilhões de euros] no Brasil desde 2018.
Para 2026 e 2027 estão previstos mais 1,2 bilhões de dólares [1,06 bilhões de euros] de investimentos.
“A Inpasa espera produzir este ano 7,6 milhões de metros cúbicos de um total de quase 40 milhões do Brasil todo, ou seja cerca de 15% da produção, com o etanol de milho em particular a chegar a quase 22 a 25% do total, sendo que esses 40 milhões do Brasil representam cerca de um terço da produção total do planeta ”, contabiliza Bruno Maier, o gerente de relações institucionais da empresa, em conversa com o DN Brasil .
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