Música de Tambores de Xi’an: o que a partitura não consegue transmitir
Mal começa a amanhecer, já se ouve um primeiro tambor na praça diante do templo.
Depois, entram aos poucos o sheng, um instrumento de sopro de palhetas, o guan, uma espécie de oboé chinês, a flauta chinesa, os gongos e os címbalos.
Alguns intérpretes tocam sentados, outros de pé.
Durante os cortejos festivos, levam os instrumentos consigo e tocam enquanto caminham, deixando que a música atravesse ruas e becos ao ritmo da multidão.
No entanto, o que verdadeiramente causa estranheza a quem vem de fora não são os instrumentos, nem as ocasiões em que são tocados, mas a partitura que os músicos têm nas mãos.
Trata-se de uma forma tradicional de notação musical que recorre a caracteres chineses e a símbolos, conhecida como “notação suzi”, ou “notação de caracteres parciais”.
Esta notação regista apenas o contorno geral da melodia enquanto os pormenores são transmitidos oralmente.
Ao ler a partitura, um aprendiz consegue perceber, de forma aproximada, o percurso da melodia, mas muitas vezes não está escrito quanto tempo deve durar uma nota, onde fazer uma breve pausa ou em que momento deve entrar o tambor.
E então, o que fazer com tudo aquilo que não ficou escrito? Isso fica para as pessoas: o mestre, que demonstra cada passagem pessoalmente; o aprendiz, que a imita inúmeras vezes, até que o corpo a memorize.
Foi assim que aprendeu a geração mais velha.
Aos 15 anos, Zhao Gengchen, entrou para a Associação Dongcang Guyue, uma associação de música tradicional cujos membros se dedicavam durante a maior parte do tempo às suas próprias profissões, reunindo-se apenas para tocar por ocasião das festas e celebrações nos templos.
Mais tarde, tornou-se o quarto mestre da tradição dentro da associação e um dos poucos músicos na China a dominar integralmente o repertório antigo e o sistema de execução da Música de Tambores de Xi’an.
Durante o dia, ajudava o pai a vender leite de soja.
À noite, ia aprender música com os restantes membros da associação.
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