O mito da economia do bem comum: nova linguagem, velho estatismo
A nova moda intelectual da esquerda económica já não fala de nacionalizações, planeamento central ou socialismo.
Fala de “missões”, “valor público”, “economia do bem comum”, “Estado que molda mercados”, “participação”, “co-criação” e “partilha de recompensas”.
A linguagem é nova, a tentação é antiga: substituir a disciplina descentralizada dos mercados por objetivos politicamente definidos e administrados por elites tecnocráticas.
Mariana Mazzucato é hoje uma das principais vozes desta corrente.
A sua tese é sedutora: os grandes desafios contemporâneos — clima, saúde, habitação, desigualdade, transição energética — exigiriam Estados mais ambiciosos, capazes de dirigir investimento, coordenar setores, condicionar empresas, reorganizar contratos públicos e definir coletivamente o rumo da economia.
O Estado deixaria de ser apenas corretor de falhas de mercado para se tornar criador, orientador e modelador de mercados.
Há uma parte desta narrativa que é verdadeira.
O Estado tem funções essenciais: segurança, justiça, educação básica, saúde pública, infraestruturas, investigação fundamental, regulação da concorrência e correção de externalidades.
Muitas inovações relevantes tiveram, em algum momento, financiamento público.
Nenhuma economia avançada prospera com um Estado ausente.
Mas o salto lógico de Mazzucato é precisamente o problema.
Do facto de o Estado ter contribuído para algumas inovações não decorre que deva dirigir a economia.
Do facto de existirem falhas de mercado não decorre que as falhas do Estado sejam menores.
Do facto de alguns investimentos públicos terem retorno social elevado não decorre que políticos e burocracias sejam bons alocadores permanentes de capital.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.