O lixo que vale mais de 800 mil milhões de euros
A energia solar foi uma das grandes apostas da transição energética.
Agora começa a surgir uma pergunta menos confortável: o que acontece aos milhões de painéis instalados quando deixam de produzir electricidade? A resposta poderá dar origem a uma das próximas grandes indústrias da economia circular.
Um e studo publicado na revista Nature estima que, a nível mundial, os resíduos de painéis fotovoltaicos poderão atingir entre 297 e 402 milhões de toneladas até 2060.
Os investigadores analisaram o problema em 32 regiões do mundo e testaram 1708 cenários diferentes de reciclagem, considerando factores como as tecnologias disponíveis, os preços das matérias-primas, o comércio internacional e as políticas públicas de apoio à reciclagem.
A conclusão é particularmente interessante do ponto de vista económico: aquilo que será uma enorme corrente de resíduos poderá também constituir uma gigantesca reserva de matérias-primas.
Os painéis fotovoltaicos contêm materiais com valor comercial, como silício, prata, cobre, alumínio e telúrio.
Alguns componentes podem ainda conter metais potencialmente perigosos, como chumbo e cádmio, o que torna especialmente importante garantir que os equipamentos são tratados correctamente quando chegam ao fim da vida útil.
Em vez de simplesmente acabar num aterro ou num circuito de resíduos inadequado, um painel usado pode tornar-se uma fonte de materiais que voltam à economia.
É nessa recuperação que está o potencial do negócio.
Dependendo do cenário analisado, os investigadores estimam benefícios económicos líquidos acumulados entre 529,1 e 935,5 mil milhões de dólares até 2060.
Convertido à taxa de câmbio actual, o intervalo corresponde aproximadamente a 454 e 804 mil milhões de euros.
O valor não significa que exista hoje um mercado de 804 mil milhões de euros.
Trata-se de uma estimativa dos benefícios económicos líquidos acumulados que poderão resultar das diferentes estratégias de reciclagem ao longo das próximas décadas.
A dimensão efectiva dependerá da evolução dos preços dos materiais, das tecnologias utilizadas, dos custos de reciclagem e das políticas adoptadas pelos governos.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em jornaleconomico.sapo.pt — o conteúdo pertence a Jornal Económico.