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A reconfiguração do pacto militar no Médio Oriente

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A reconfiguração do pacto militar no Médio Oriente

Arquitetado em setembro de 2025, já dentro do caos que circunda o Médio Oriente, o pacto militar entre a Arábia Saudita e o Paquistão parece estar a entrar numa fase dealargamento com a adesão da Turquia. Ancara, uma das principais potências militares convencionais da região e membro da NATO, acrescenta ao pacto uma capacidademilitar que poderá alterar a sua dimensão estratégica. O acordo estabelece que um ataque contra um dos seus membros será considerado um ataque contra os restantes, numa lógica de defesa coletiva que o ministro turco dos Negócios Estrangeiros, Hakan Fidan, comparou tecnicamente ao artigo 5.º da NATO. O acordo é apresentadopelos seus signatários como defensivo e permanece aberto à adesão de outros países.

A entrada de Ancara levanta, contudo, duas questões fundamentais: será que o guarda-chuva de segurança da NATO já não é suficiente para a Turquia ou estaremos perante uma oportunidade estratégica para a construção de uma nova arquitetura de segurança entre potências regionais?

A resposta poderá estar, em parte, nos interesses estratégicos de Ancara. Os interesses turcos na região nem sempre coincidem com os de Washington e, em determinados pontos, entram em divergência com Israel. A questão curda, a situação na Síria e no Iraque, bem como a evolução da situação no Líbano, fazem parte das suas preocupações de segurança.

A Turquia tem procurado afirmar uma posição própria perante os conflitos e as transformações políticas da região. A sua postura relativamente à guerra na Palestina e às operações israelitas tem provocado uma deterioração significativa das relações entre os dois países, enquanto as divergências em torno da Síria e do Líbano acrescentam uma dimensão estratégica à rivalidade entre Ancara e Telavive. Adicionalmente, a Turquia e o Paquistão, em particular, têm interesses que não se confundem com as ambições regionais de Israel.

É neste contexto que a participação turca no pacto poderá ser entendida como uma decisão realista. Ancara não necessita de abandonar a NATO para procurar outros instrumentos de segurança. Poderá, antes, estar a procurar maior autonomia estratégica e capacidade para defender os seus próprios interesses numa região onde nem sempre existe convergência entre os interesses turcos, norte-americanos e israelitas.

O que mudou, no entanto, não é apenas a posição da Turquia. A configuração da ordem mundial prossegue. Embora esta alteração ainda esteja em curso, as consequências dos conflitos ativos, nomeadamente no Médio Oriente e na Ucrânia, têm contribuído para acelerar esse processo. As potências regionais procuram adaptar-se a um ambiente internacional marcado por maior incerteza e começam a procurar mecanismos próprios de segurança.

É perante esta conjuntura que se compreende o interesse da Arábia Saudita. O novo pacto não pretende substituir os Estados Unidos enquanto principal parceiro de segurança de Riade.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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