"Insurreição". Protestos na Europa marcam debate em Portugal
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E, na verdade, ao utilizar as primeiras, sua intervenção inicial, eu tenho-
Portugal à qual amanhã quer voltar. Depois de batizado feito, não faltam padrinhos, ó primeiro-ministro.
Passos Perdidos, em breve o Parlamento vai começar a discutir o orçamento do Estado, mas tem sido o custo de vida a marcar a discussão nos últimos dias, com a Europa a atravessar uma onda de protestos. Os deputados por cá vão trocando acusações sobre quem quer importar conflitos para Portugal. E começamos esta semana pelo bate-boca.
Miguel Vitor Dias é o nosso agente infiltrado no Parlamento. Não está infiltrado, está bem à vista e está documentado. Bem-vindo, Miguel. O PCP pediu um debate para antecipar as manifestações deste último fim de semana, com o governo a acusar a esquerda de querer importar o caos que se vai vivendo, por exemplo, em França, pra cá.
O Partido Comunista Português quis antecipar os protestos com um debate na assembleia, por isso chamou o governo à discussão. O ministro dos Assuntos Parlamentares, Carlos Abreu Amorim, representou o Executivo, com a secretária de Estado da Habitação ao lado, esse que é o tema quente que tem gerado as manifestações, não só em Portugal, mas também um pouco pela Europa. E depois de defender as medidas do governo para responder ao aumento dos preços, Abreu Amorim passou ao ataque para visar o líder do Bloco de Esquerda, José Manuel Pureza.
Não sente nenhum sentimento, nenhuma impressão, nenhum desconforto pelo fato do líder do seu partido ter feito um apelo à insurreição, procurando trazer para Portugal exemplos que acontecem em França e em Espanha, onde se tentam resolver problemas sérios com soluções não sérias? Não sente nada? Fica impávido e sereno perante isso, senhor deputado?
Fábian Figueiredo não ficou impávido e sereno. Carlos Abreu Amorim comparou a postura do Bloco de Esquerda à de Jean-Luc Mélenchon em França e Fabian Figueiredo pediu de imediato a defesa da honra.
Numa democracia, o protesto, a manifestação, faz parte da expressão da cidadania. E isso vale para a JSD e para os acampamentos que o senhor deputado Alexandre Poço montou em 2020 em frente ao Ministério do Ensino Superior para defender o alojamento estudantil, como vale para quem pacificamente luta pelo direito à habitação no Porto. As democracias têm válvulas de segurança que toleram a divergência.
Ora, Carlos Abreu Amorim respondeu a Fabian Figueiredo que foi José Manuel Pureza que fez este apelo à insurreição num vídeo publicado no Instagram.
A onda de indignação chegou mesmo a Portugal e há cada vez mais razões para sairmos à rua quando vamos à bomba de gasolina, quando passamos na caixa de supermercado, quando pagamos a renda de casa, quando pagamos a prestação ao banco. Durante muito tempo, ouvimos repetida uma e outra vez aquela pergunta: como é que se consegue travar um governo radicalizado com uma maioria de direita e de extrema-direita no Parlamento? A resposta foi e há de continuar a ser dada por muitos milhares de pessoas na rua.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.