A mais recente ousadia chinesa: dar asas à cultura
O nº 20 da Nanjing Road foi, durante largos anos, o cartão de visita de Xangai.
Morada do icónico Carhay Hotel, que rimava com a efervescência da cidade nos loucos anos 1920, onde Oriente e Ocidente se cruzavam na ressaca da I Guerra Mundial.
Inaugurado em 1929, foi financiado pelo magnata imobiliário judeu-iraquiano Sir Victor Sassoon, numa ode ao estilo Art Déco, com elementos da Escola de Chicago.
Aquele que foi o epicentro da vida social, das festas extravagantes e do glamour da Xangai dos anos 1930 renasceu em 2010, como Fairmont Hotel, em pleno Bund, a artéria visceral de Xangai, na margem do rio Huangpu.
Em meados dos anos 90, enxames de bicicletas deslizavam pelo Bund.
O meio de transporte por excelência nas cidades chinesas – e outras do sudeste asiático – no século XX, tornou-se uma memória pitoresca que guardamos em álbuns de fotografias.
Analógicas.
Isso mesmo.
Onde estão o polícia-sinaleiro, as mercadorias empilhadas qual pirâmide sobre duas rodas? Gestos de outro tempo.
Arqueologia urbana.
Como a Torre Pérola Oriental, a estrutura mais alta da China até 2007, do lado oposto ao Bund, no distrito de Pudong.
Foi, durante décadas, o símbolo de Xangai.
Ainda lá está, no mesmíssimo lugar.
Mas há muito que perdeu esse estatuto.
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