UMAR defende união das mulheres contra conservadorismo extremo
"[ Os direitos] estão ameaçados pelas forças de ultradireita. É necessário unidade, é necessário que todas as mulheres, todas as organizações de esquerda se unam na defesa dos direitos das mulheres", afirmou à Lusa a fundadora e membro da direção da União de Mulheres Alternativa e Resposta (UMAR), que celebra hoje 50 anos.
Para Maria Idalina Rodrigues, vários direitos conquistados nas últimas décadas enfrentam atualmente riscos, perante o aparecimento de movimentos conservadores que pretendem fazer recuar algumas dessas conquistas.
"Esquecem-se que, se hoje se reúnem e falam, deve-se ao movimento pós-25 de Abril porque antigamente não nos podíamos reunir nem podíamos discutir os nosso problemas e se hoje o podemos fazer, deve-se à democracia que foi conseguida com o 25 de Abril" de 1974, salientou.
Para a dirigente, a explicação para o aparecimento destes movimentos ultraconservadores reside também na tendência de votos à esquerda por parte das mulheres nas mais recentes eleições legislativas, "um campo que a extrema-direita quer conquistar".
"Quer conquistar para atingir os seus fins, que é uma maioria na Assembleia da República", o que torna "necessário conquistar as mulheres", defendeu, apesar de acreditar que "para já, este movimento [de mulheres conservadoras] não tem pernas para andar".
A resposta, disse, deve passar pela capacidade de construir convergências, apontando como exemplo a mobilização pela despenalização da interrupção voluntária da gravidez (IVG), que reuniu diferentes organizações numa plataforma e culminou no SIM, em referendo, em 2007.
"Este foi um movimento muito importante porque foi um movimento unitário", recordou, dizendo que deve ser também o caminho perante os riscos atuais.
A igualdade de género, a violência doméstica e o assédio sexual nas escolas e no trabalho são outras áreas que Maria Idalina Rodrigues colocou entre as prioridades da organização.
A educação é, aliás, apontada como uma das principais áreas de intervenção para impedir retrocessos, elegendo o trabalho nas escolas como uma prioridade por considerar que "os jovens são o futuro".
Maria Idalina Rodrigues manifestou também preocupação com a influência das redes sociais, considerando que a circulação de determinados conteúdos pode contribuir para a disseminação de discursos de ódio e violência.
Relacionou ainda a adesão de alguns jovens a discursos que questionam conquistas das últimas décadas com as dificuldades que enfrentam, nomeadamente o desemprego, a falta de perspetivas profissionais e a impossibilidade de sair de casa dos pais.
"Há uma situação real de défice para a juventude", afirmou, referindo que esse contexto constitui "um terreno fértil" para procurar outras respostas e responsabilizar o percurso feito nos últimos 50 anos pelos problemas atuais.
Perante este cenário, Maria Idalina Rodrigues insistiu na necessidade de mobilização e de transmissão às novas gerações da experiência acumulada pelas mulheres que lutaram pelos seus direitos antes e depois do 25 de Abril.
"A igualdade, os direitos das mulheres, a igualdade de género é uma coisa importante", afirmou, defendendo que é uma luta "que não se esgota" e que deve continuar.
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