Quando a igualdade avança mais na lei do que na prática: os desafios da igualdade de gênero entre Brasil e Portugal
Imagine duas entrevistas de emprego.
Uma acontece em Lisboa.
A outra, em São Paulo.
Em ambas, uma candidata altamente qualificada prepara-se para falar sobre resultados, estratégia e liderança.
Mas, em algum momento da conversa, surgem perguntas que dificilmente seriam dirigidas a um homem: "Tem filhos?", "Pretende engravidar?", "Conseguirá conciliar um cargo de liderança com a vida familiar?".
Muitas vezes, essas perguntas nem precisam ser feitas.
Manifestam-se em pressupostos silenciosos que influenciam quem é contratado, promovido ou convidado a ocupar posições de poder.
Nenhuma lei autoriza esse tipo de comportamento.
Pelo contrário.
Brasil e Portugal têm avançado na promoção da igualdade de género.
Em maio deste ano, o Brasil reconheceu 80 empresas com o Selo Pró-Equidade de Gênero e Raça, cujas diferenças salariais entre homens e mulheres são, em média, 26,2% inferiores às registadas nacionalmente.
Portugal, por sua vez, anunciou um investimento superior a 5,8 milhões de euros para projetos destinados a promover a liderança feminina e reduzir desigualdades no mercado de trabalho.
As iniciativas merecem ser celebradas.
Mas também levantam uma questão: até onde a lei consegue transformar a cultura? Essa pergunta acompanha-me desde antes da investigação acadêmica.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.