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Eleições nos Urais? Justiça russa proíbe partido antiguerra de concorrer

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Eleições nos Urais? Justiça russa proíbe partido antiguerra de concorrer

U m tribunal regional decidiu a favor da ação intentada pelo Partido Liberal Democrático, de tendência ultranacionalista, por alegadas violações dos direitos de autor e das regras relativas à propaganda eleitoral.

"Estou, evidentemente, surpreendido por não ter visto um único argumento jurídico por parte do queixoso", comentou o líder da lista do Yabloko para esta região, Konstantín Kiseliov.

O Yabloko salientou que esta é a quinta região em que a justiça russa conseguiu anular o registo dos seus candidatos por listas, algo que também conseguiu em Leninegrado, Carélia, Pskov e em São Petersburgo.

Além disso, o Partido Comunista da Rússia também apresentou uma queixa semelhante para que as autoridades revoguem o registo da lista do Yabloko nas eleições no enclave báltico de Kaliningrado.

A Comissão Eleitoral Central (CEC) registou a lista federal do Yabloko no final de julho, mas após a intenção de voto ter disparado em menos de duas semanas, o Supremo Tribunal revogou o registo, entre outras razões, devido a um alegado financiamento estrangeiro.

Devido ao cansaço com a guerra, ao bloqueio da Internet e à escassez de combustível, entre outros motivos, as sondagens mostram, há meses, uma queda na popularidade do líder russo, que lidera, pela primeira vez desde 2007, a campanha eleitoral do partido do Kremlin, o Rússia Unida.

O conhecido jornalista independente Mikhail Zigar afirmou que foi Putin quem tomou pessoalmente a decisão de excluir o Yabloko, cujo lema eleitoral "Pela paz e pela liberdade" contrasta com o do partido do Kremlin, "Tudo pela vitória".

O Yabloko é o único partido que, desde a queda da antiga União Soviética, se opôs a todas as guerras em que a Rússia esteve envolvida, na Chechénia (1994), na Síria (2015) ou na Ucrânia (2022).

Formação liberal ao estilo ocidental, o Yabloko, que significa maçã em russo, tem defendido a economia de mercado, os direitos humanos e o Estado de direito, o que o colocou em confronto com os governos liderados por Boris Yeltsin e Vladimir Putin.

A formação política foi fundada em 1993, dois anos após a desintegração da União Soviética, como uma aliança de democratas de diversas tendências, desde democratas-cristãos a social-democratas, verdes e feministas.

Grigori Yavlinski, líder histórico do Yabloko, é um economista nascido na Ucrânia que fundou o partido juntamente com outros reformistas de renome da época: Vladimir Lukin e Yuri Boldirev.

O partido desempenhou um papel preponderante na política russa durante a sua primeira década, período em que sempre teve representação parlamentar na Duma, embora atrás dos nacionalistas e dos comunistas.

O Yabloko perdeu peso político a partir da chegada de Putin à Presidência, em 2000. Deixou de ter um grupo parlamentar em 2003 e ficou sem representantes na assembleia quatro anos mais tarde.

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