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O Nosso Maior Legado

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A língua portuguesa é, provavelmente, a mais extraordinária herança que Portugal deixou ao mundo, a par do seu pioneirismo na globalização do mesmo. Portugal, um pequeno país na periferia da Europa, conseguiu que a sua língua se tornasse o idioma de centenas de milhões de pessoas espalhadas por quatro continentes.

Hoje, o português é uma das quatro línguas globais, junto com o inglês, espanhol e francês. Tem um número de falantes superior ao francês e está geograficamente mais dispersa do que o espanhol. É uma língua que une Lisboa a Díli, o Porto a Maputo, Luanda a São Paulo, Praia ao Rio de Janeiro e o Funchal a São Tomé.

Enquanto muitas línguas europeias enfrentam estagnação ou declínio demográfico, o português continua a crescer. Angola e Moçambique registam algumas das maiores taxas de crescimento populacional do mundo, devendo vir a somar perto de 200 milhões de habitantes no final deste século. Muitos desses cidadãos terão o português como primeira ou segunda língua, reforçando o peso internacional da nossa comunidade linguística, que já hoje conta com mais de 210 milhões de falantes no Brasil, maior país lusófono.

Seria natural que o Estado e os portugueses colocassem este ativo extraordinário no centro da sua estratégia cultural, económica e geopolítica. A língua facilita negócios, reduz barreiras à cooperação, aproxima mercados e cria oportunidades de investimento. Uma empresa portuguesa encontra em Angola, Moçambique, Brasil ou Cabo Verde uma vantagem competitiva que não possui noutros mercados. Da mesma forma, empresas desses países encontram em Portugal uma porta de entrada para a Europa.

Por isso, reforçar a cooperação económica, científica, tecnológica e educativa com os restantes países lusófonos não é apenas uma questão de afinidade histórica. É uma opção estratégica. A lusofonia não deve ser vista como uma nostalgia do passado, mas como uma plataforma de crescimento mútuo e afirmação coletiva para o futuro.

No entanto, enquanto o potencial internacional da língua portuguesa continua a crescer, em Portugal parece muitas vezes faltar a mesma confiança na nossa própria língua. Em vez de a valorizarmos, frequentemente somos os primeiros a substituí-la por palavras e designações inglesas, mesmo quando existem alternativas portuguesas tão ou mais adequadas.

A tendência tornou-se tão habitual que quase deixou de ser questionada. A histórica SATA transformou-se há uns anos na “Azores Airlines”. A TAP recuperou recentemente a designação “Air Portugal” , não fossem as pessoas olhar para os aviões e não perceber que se trata de uma companhia aérea. A mesma TAP envia SMS para números portugueses a dar informações sobre os seus voos, em inglês. É legítimo questionar se este tipo de opções contribui verdadeiramente para a valorização da marca Portugal ou para a afirmação da língua portuguesa.

Nas últimas semanas, foi apresentado um navio de investigação oceanográfica denominado “Azores Ocean” , quando “Oceano Açores” seria uma designação perfeitamente natural, e facilmente entendível por qualquer anglófono que desconheça a língua de Camões.

No aeroporto de Faro os trabalhadores abordam os passageiros primariamente em inglês.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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