Paulo Raimundo elogia “dotes de bailarino” do primeiro-ministro mas Montenegro diz dançar mal
O secretário-geral do PCP considerou esta sexta-feira, 9 de outubro, que o primeiro-ministro “tem dotes de bailarino”, sobretudo no “vira a três”, entre PSD, PS e Chega, mas Luís Montenegro recusou e disse não ter “jeitinho nenhum” para a dança.
A questão em torno dos dotes de dança surgiu no debate quinzenal, entre Paulo Raimundo e Luís Montenegro, a propósito do teor da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2027.
Na sua intervenção, o secretário-geral do PCP acusou o primeiro-ministro de ter apresentado um Orçamento que desprotege as famílias face ao aumento do custo de vida, enquanto os grupos económicos vão beneficiar com descidas de impostos, benefícios fiscais e mais rendas.
O primeiro-ministro contrapôs que, desde 2024, os salários dos trabalhadores aumentaram 15% em termos líquidos, o que corresponde a mais dois salários.
E advogou que em 920 dias que está em funções na liderança do Governo “não houve um único aumento de impostos”.
O secretário-geral do PCP ouviu a argumentação do líder do executivo e respondeu, usando a ironia: “O senhor primeiro-ministro é, de facto, um bailarino”.
“Isto é um vira, vira-se para o Chega e aprova com o Chega a lei dos despejos; vira-se para o PS e aprova com o PS este Orçamento que é um frete ao capital e é uma desgraça para o país.
Enquanto andamos aqui neste bailarico, vai sobrando a conta para aqueles que pagam o baile: Os trabalhadores, a juventude, os pequenos empresários, os reformados”.
Logo a seguir, o primeiro-ministro ripostou: “Se há coisa para a qual não tenho jeitinho nenhum é para dançar”.
No plano político-económico, o secretário-geral do PCP acusou o Governo de ter um Orçamento que mantém e aprofunda as desigualdades, conservando os défices dos orçamentos das famílias, “sem condições para fazerem face aos aumentos dos combustíveis, dos alimentos e da habitação”.
Mas, segundo Paulo Raimundo, “há uns” que estão sempre em excedente e para os quais o Governo contribui com “mais benefícios fiscais, mais regalias e mais descidas de impostos”.
“O primeiro-ministro acha ou não que, por exemplo, os 1300 milhões de euros lucros da Galp devem ou não contribuir para enfrentar o aumento dos combustíveis e do gás? Acha ou não que os 500 milhões de lucros da grande distribuição, só no primeiro semestre, devem ou não contribuir para enfrentar o drama do aumento brutal do que a base alimentar? Acha ou não, por exemplo, que os 14 milhões de euros lucros por dia da banca, 10 mil euros por minuto de lucros, devem ou não, desde logo, pagar aquilo que devem ao povo português e contribuírem para enfrentar este drama do acesso à habitação?”, questionou.
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