“A política atual oferece aos fumadores apenas a abstinência”, alerta o médico Bruno Maia
Bruno Maia defende, em entrevista ao Jornal Económico, que a política de combate ao tabagismo deve distinguir os diferentes produtos de tabaco e nicotina em função do seu risco, reforçar a prevenção e assentar em evidência científica e dados nacionais.
Defende ainda maior proteção dos jovens, fiscalização eficaz e avaliação do impacto das medidas adotadas.
O grupo de trabalho está a acompanhar a revisão da legislação europeia? Que alterações vos preocupam particularmente? Sim, e de forma ativa.
O Grupo de Trabalho escreveu aos eurodeputados portugueses no âmbito do relatório sobre a implementação do Plano Europeu de Luta contra o Cancro (2025/2139(INI)) e da futura revisão da Diretiva 2014/40/UE.
Pedimos que a posição europeia reconheça um princípio simples: nem todos os produtos de tabaco e nicotina têm o mesmo risco.
A nossa maior preocupação é que a revisão trate por igual produtos com perfis de risco muito diferentes, seja na regulação, na comunicação ou na fiscalidade.
Se um cigarro eletrónico for tratado como um cigarro, o fumador deixa de ter incentivo para mudar para a alternativa menos nociva, quando a cessação não é possível.
Na prática, isso acaba por proteger o produto mais letal, que é o cigarro.
Preocupa-nos em especial uma harmonização fiscal que não diferencie pelo risco.
Penaliza sobretudo os consumidores de menores rendimentos e arrisca empurrá-los de volta para o cigarro ou para o mercado ilícito.
Há também uma questão de coerência.
Em 2022, o Parlamento Europeu pediu à Comissão avaliações científicas comparativas do risco do cigarro eletrónico e do tabaco aquecido, e essas avaliações continuam por fazer.
O relatório sobre doenças cardiovasculares (A10-0221/2026) já reconhece que os diferentes produtos de nicotina têm perfis de risco diferentes.
Seria incoerente a legislação do tabaco ignorar essa distinção.
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