Leão XIV defende proteção de crianças migrantes como prioridade
O Papa Leão XIV defendeu nesta quinta-feira (14) que a gestão dos fenômenos migratórios deve ter como prioridade o “interesse superior do menor”, exigindo que as instituições coloquem “a proteção e a dignidade de cada criança e adolescente” no centro das políticas públicas globais.
A declaração do pontífice foi dada em mensagem para o 112º Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, celebrado pela Igreja Católica em 27 de setembro, vindo na esteira da recente entrada em massa de 72 mil deslocados internacionais em Ceuta, exclave espanhol no Marrocos.
Papa Leão XIV pediu que a proteção de crianças e adolescentes migrantes seja a principal prioridade das políticas públicas.
A mensagem foi divulgada para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, em contexto de aumento de fluxos migratórios.
O pontífice clamou por instrumentos jurídicos eficazes e uma resposta coordenada para garantir dignidade e integração.
No texto, intitulado “Mesmo uma só destas crianças”, em referência ao Evangelho de Mateus, o Papa Leão XIV defendeu a adoção de “instrumentos jurídicos eficazes de proteção”, o estímulo ao reagrupamento familiar e a prevenção dos “traumas da separação”.
“Urge uma mudança de perspectiva: é necessário deslocar o eixo do debate da mera gestão dos fluxos para a tutela plena e imediata dos direitos humanos , adotando uma resposta coordenada, solidária e eficaz, capaz de garantir proteção, acolhimento e oportunidades reais de integração a quem emigra”, escreveu o pontífice na mensagem.
“Mesmo um só destes pequeninos, no contexto das instituições civis, chama-nos a reafirmar o princípio do interesse superior do menor.
As instituições públicas e privadas são obrigadas a dar centralidade à proteção e à dignidade de cada criança e adolescente”, acrescentou.
Qual a responsabilidade pelo sofrimento dos migrantes? Leão XIV lembrou que milhões de menores de idade são “obrigados a abandonar sua terra devido a guerras, pobreza, violência, catástrofes ambientais e outras tragédias”, alertando que o número continua crescendo.
“As responsabilidades econômicas, políticas e militares por este desastre são imensas.
O sofrimento não se esgota no simples deslocamento: há jovens que perderam pais, irmãos, irmãs e amigos e são testemunhas de violências indescritíveis.
Outros, separados durante longos períodos dos seus familiares, tentam reunir-se com eles, vivendo, entretanto, a angústia do afastamento”, disse.
O Papa também relembrou as múltiplas violações enfrentadas pelos menores durante migrações, como tráfico humano, exploração, recrutamento para conflitos armados, violência sexual , casamentos forçados e outras atrocidades.
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