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De boné para esconder queimadura ao topo do mundo: a consagração de Piu

UOL Esporte ·
De boné para esconder queimadura ao topo do mundo: a consagração de Piu

Ouvir 1× 0.5× 0.75× 1× 1.25× 1.5× 1.75× 2× Alison "Piu" dos Santos quebrou o recorde mundial dos 400 m com barreiras ao vencer uma etapa da Diamond League em Zurique, na Suíça. Ele realizou o sonho de quatro anos atrás, quando disse ao UOL que sua meta era ter a melhor marca da história na prova.

Alison quase desistiu do atletismo ainda adolescente por ser introvertido e por vergonha das marcas de queimaduras sofridas quando bebê. Aos dez meses, uma panela de óleo quente caiu sobre ele e deixou cicatrizes na cabeça e na testa, o que o levou por anos a usar boné para esconder as marcas.

Ele começou no atletismo em São Joaquim da Barra (SP) depois de aceitar, na segunda tentativa, o convite de um projeto social. Os professores do Instituto Edson Luciano Ribeiro insistiram após verem o porte físico do garoto, que já tinha 1,84 m aos 14 anos, e ele topou porque um amigo treinava lá; foi ali que ganhou o apelido "Piu".

Na primeira competição, o Brasileiro sub-16 de 2014, Alison correu inibido e de touca, mas foi mudando com o ambiente do esporte. O atleta passou a aparecer também pelo carisma e pelas coreografias antes das provas.

A virada esportiva veio quando ele se firmou nos 400 m com barreiras com a treinadora Ana Fidélis e explodiu em 2019. Aos 19 anos, ele bateu sete vezes o recorde brasileiro e sul-americano sub-20, foi campeão dos Jogos Pan-Americanos de Lima e finalista do Mundial adulto de Doha, em sétimo.

Em Tóquio-2021, Alison conquistou o primeiro pódio olímpico do Brasil nos 400 m com barreiras. Ele foi bronze com 46s72 e recolocou o país em uma final olímpica da prova após 21 anos.

Em 2022, ele virou o primeiro brasileiro campeão mundial (outdoor) nos 400 m com barreiras e, naquele momento, já mirava o recorde. "O próximo passo é o recorde mundial, com certeza", disse ao UOL após o título.

Agora, o recorde mundial veio em Zurique e colocou o nome do Brasil no topo da prova. Alison já está classificado para a final da Diamond League, marcada para 4 e 5 de setembro, em Bruxelas, na Bélgica.

Alison venceu a prova com 45s80 e baixou em 14 centésimos o recorde que era de Karsten Warholm. O norueguês, que tinha 45s94 como melhor marca, terminou em segundo lugar com 46s69.

Brasileiro abriu vantagem depois dos primeiros 200m e sustentou o ritmo até a reta final. O nigeriano Ezequiel Nathaniel foi o terceiro colocado, com 47s50, e Matheus Lima terminou em quarto, com 47s57.

Recorde mundial veio após uma sequência de vitórias na temporada da Diamond League em 2026. Antes de Zurique, Alison já tinha vencido etapas em Shaoxing (300m com barreiras), Xiamen, Oslo, Estocolmo e Silésia.

Em maio, em Xiamen, Alison fez o melhor tempo do ano até então e venceu Warholm nos 400m com barreiras. Ele marcou 46s72, contra 46s82 do norueguês, e disse que buscava controlar a saída e acelerar na parte final: "Foi uma sensação boa. Eu sempre tento aumentar a velocidade nos 300 metros".

Um mês antes do recorde, Alison também quebrou uma marca histórica em uma prova fora da especialidade.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.uol.com.br — o conteúdo pertence a UOL Esporte.

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