Afetada por disputas geopolíticas, COP17 termina com poucos avanços
Depois de duas semanas, chegou ao fim a 17ª Conferência das Nações Unidas de Combate à Desertificação (COP17) em Ulaanbaatar, capital da Mongólia.
Realizada pela Convenção das Nações Unidas para o Combate à Desertificação (UNCCD) em um momento em que até 40% das terras do planeta estão degradadas, a conferência teve poucos avanços para a concretização de compromissos internacionais . >> Confira a cobertura da Agência Brasil sobre a COP17 Notícias relacionadas: EUA são criticados por bloquear gênero e participação social na COP17.
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A urgência dos problemas exigia anúncios significativos.
As principais expectativas para o evento, porém, não se tornaram realidade: a criação de um regime global contra as secas foi adiada mais uma vez e os valores de financiamento ficaram abaixo do cálculo estimado para conter a degradação da terra .
Negociadores ouvidos pela Agência Brasil ponderam que o resultado final poderia ter sido pior, dadas às condições geopolíticas desfavoráveis e às tentativas dos Estados Unidos de enfraquecer os instrumentos multilaterais.
Logo no primeiro dia do evento, representantes de Washington bloquearam um conjunto de itens da agenda de negociações : gênero, participação da sociedade civil e integração entre as três COPs do meio ambiente (desertificação, biodiversidade e clima).
Uma atitude sem precedentes na história da conferência, já que o texto inicial parte de consensos estabelecidos na COP anterior.
Ao fim da conferência na Mongólia, todos os itens foram reintroduzidos no programa de trabalho para a COP18, que será realizada no Egito em 2028.
Impasse Em relação ao regime global contra as secas, os Estados Unidos defendiam a suspensão total do debate.
Europeus eram a favor de um acordo com mecanismos voluntários.
Africanos, apoiados pelo Brasil, queriam um acordo que gerasse compromissos obrigatórios.
Ao fim, houve consenso para que a seca passe a ser um item permanente e independente da agenda das próximas conferências, o que evita que a discussão sobre ela seja alvo de bloqueios.
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