Reforma tributária: neutralidade deixa de ser técnica e vira fetiche
A neutralidade virou uma das palavras de ordem da reforma tributária sobre o consumo.
É fácil compreender o apelo da ideia.
Depois de décadas de cumulatividade, guerra fiscal, benefícios setoriais e distorções capazes de influenciar a organização das empresas e a localização dos investimentos, um sistema que prometa interferir menos nas decisões econômicas parece naturalmente superior.
Spacca … O problema começa quando a neutralidade deixa de ser uma técnica útil e passa a funcionar como um fetiche: uma determinada preferência política sobre o papel do Estado e dos tributos é apresentada como se fosse mera exigência técnica, acima de controvérsias e escolhas democráticas.
É preciso separar as coisas.
Em um imposto sobre valor agregado, a neutralidade tem funções importantes.
A não cumulatividade evita que a carga dependa do número de etapas da cadeia produtiva.
A tributação no destino reduz incentivos artificiais à localização das atividades.
E a contenção de benefícios sem fundamento pode proteger a concorrência.
Nada disso está em discussão.
Mas daí não decorre que o melhor tributo seja sempre aquele que menos interfere nas escolhas privadas.
A Constituição nunca adotou essa premissa.
O sistema tributário não existe apenas para arrecadar.
Também pode estimular e desestimular comportamentos, corrigir externalidades, proteger o meio ambiente e a saúde, reduzir desigualdades e promover finalidades econômicas e sociais.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.conjur.com.br — o conteúdo pertence a Consultor Jurídico.