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Economia

Fio invisível liga aumento do endividamento ao corte de vagas de emprego; entenda

InfoMoney ·
Fio invisível liga aumento do endividamento ao corte de vagas de emprego; entenda

A perda do poder de compra das famílias brasileiras leva a um ciclo perverso que liga o aperto no salário ao corte de vagas no setor de varejo em um prazo de até 12 meses.

A conclusão é de um levantamento inédito do Ibevar-FIA Business School, que rastreou o fio que liga o consumo, a dívida e o desemprego.

Para chegar a esse diagnóstico, a pesquisa utilizou um modelo econométrico de Vetores de Correção de Erros (VECM), analisando nove indicadores do sistema de crédito, renda e consumo, para entender como o desequilíbrio doméstico se propaga na economia real.

Leia também: Desenrola até ajuda no bolso, mas endividamento só muda com corte estrutural de juros Dívidas de sobrevivência Ao contrário do que o senso comum pressupõe, o brasileiro não está estourando o limite do cartão com bens supérfluos.

O estudo aponta que 22,3% do endividamento das famílias no período de um ano é explicado diretamente pela queda do rendimento real e pela necessidade de manter as compras básicas do varejo restrito, como supermercados, farmácias e vestuário.

Para Claudio Felisoni, presidente do Ibevar e professor da FIA Business School, o movimento é de sobrevivência.

“O endividamento e a inadimplência das famílias brasileiras não são fruto de imprudência financeira.

São um mecanismo de defesa quase mecânico: a inflação corrói a renda, o crédito cobre o supermercado, o atraso nas contas vira calote e o comércio, sem vender, corta vagas.

Nosso modelo mostra que esse ciclo se completa em até 12 meses”, afirma.

Leia também: Emprego bate recorde, mas PNAD expõe estagnação da renda e abismo social A velocidade da transição de um orçamento apertado para a bola de neve da dívida foi medida pelo estudo.

No primeiro mês, o endividamento depende de 94,5% de sua própria inércia, ou seja, é a própria dívida gerando mais dívida por meio de juros e rolagem.

Ao fim de 12 meses, essa inércia cai para 59,1%.

É neste momento que o aperto nos salários e a necessidade de manter o consumo básico passam a responder por mais de 22% do endividamento das famílias.

O modelo mostra que, no longo prazo, o rombo financeiro deixa de ser um descontrole de juros e se torna um sintoma da falta de recursos para a sobrevivência básica.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.infomoney.com.br — o conteúdo pertence a InfoMoney.

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