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Ele enfrentou o Maracanã lotado e transformou vaias em aplausos

Revista Fórum ·
Ele enfrentou o Maracanã lotado e transformou vaias em aplausos

Havia 130 mil pessoas no Maracanã, para um amistoso entre Brasil x Inglaterra.

As vaias começaram quando o time foi anunciado e, na ponta-direita, estava Julinho Botelho e não Mané Garrincha.

Vaia fácil de entender, pela rivalidade entre cariocas e paulistas e, principalmente, porque o ano era 1959, 13 de maio, e Garrincha não era apenas um jogador do Botafogo.

Ele era um monumento afetivo brasileiro, talvez o cidadão mais amado do país, o cara que, juntamente, com Pelé, havia sido fundamental na conquista do bicampeonato na Suécia.

Dá para entender as vaias pelo amor a Garrincha, mas não pelo currículo de Julinho.

Ele não era qualquer um.

Jogando pela Portuguesa, foi titular na Copa de 1954, inclusive marcando contra os terríveis húngaros no 4 x 2 que ficou conhecido como a Batalha de Berna.

Foi jogar na Itália e se transformou em ídolo da Fiorentina, com 29 gols em 81 jogos.

Foi importante na conquista do primeiro título nacional da equipe.

E, em 1958, recusou a convocação para a Copa.

Disse que seria injusto ser convocado porque não jogava no Brasil.

Defender a seleção deveria ser um privilégio dos que atuavam no Brasil.

É sempre muito complicado fazer projeções baseadas no SE, mas se Julinho estivesse na Copa talvez Garrincha não estivesse, talvez o Brasil não fosse campeão, já muitas suposições, mas a verdade é que Julinho era um grande jogador.

A vaia foi forte.

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