Entenda como a IA entrou na rotina de deputados e senadores
Ferramenta é usada para mapeamento de propostas e produção de conteúdo, mas congressistas mantêm cautela com dados falsos
A inteligência artificial virou uma espécie de “assessor invisível” no Congresso. Nos gabinetes, a ferramenta tem sido usada para pesquisar temas, resumir projetos, transcrever entrevistas, cruzar dados, preparar reuniões e até ajudar a produzir vídeos. O Poder360 ouviu congressistas para entender o que eles já entregam à IA –e o que preferem manter com a equipe.
A equipe do senador Sérgio Moro (PL-PR) afirmou usar a IA só para produção e edição de imagens de apoio. A ferramenta não é usada para produzir textos para as redes sociais nem para automatizar comentários e respostas.
O time da deputada Tabata Amaral (PSB-SP) recorre à tecnologia principalmente para otimizar tarefas e produzir resumos. “É uma ferramenta que hoje faz parte do nosso dia a dia, mas que não substitui o cuidado que temos com a revisão dos textos na íntegra” , afirmou.
O líder do Missão na Câmara, o deputado Kim Kataguiri (SP) disse que sua equipe usa IA para acompanhar a tramitação de projetos, levantar dados e desenvolver sistemas internos. Um aplicativo criado com vibe coding , por exemplo, permite identificar em qual comissão está uma proposta, quem é o relator e o presidente do colegiado e em que etapa de tramitação se encontra. A tecnologia também é usada na produção de conteúdo, edição de vídeos e criação de animações.
Segundo Kataguiri, tarefas que antes levavam semanas podem ser feitas em cerca de 30 minutos. O deputado, porém, disse evitar usar IA para jurisprudência e elaboração de projetos de lei, por considerar que as ferramentas ainda não são confiáveis nesses campos.
Há também quem tenha optado por não usar a tecnologia. O time de comunicação da deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) não usa IA e define o trabalho como “100% artesanal”. Segundo um assessor, a decisão é política e busca valorizar a criação profissional.
Embora a tecnologia esteja presente em diversas etapas do trabalho parlamentar, a elaboração de projetos de lei continua dependendo majoritariamente de análise humana.
A IA é usada principalmente como ferramenta de apoio à leitura e à organização de informações.
A liderança do União Brasil no Senado utiliza a ferramenta para resumir projetos e textos extensos, analisar pontos positivos e negativos de propostas consideradas polêmicas e aprimorar conteúdos antes da publicação.
A assessoria do senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) recorre à IA principalmente para analisar proposições legislativas extensas e notas técnicas sobre temas muito específicos, que ultrapassam o conhecimento jurídico e de processo legislativo da equipe.
O uso é concentrado no tratamento de documentos longos, na organização de informações e na análise inicial de matérias de maior complexidade técnica. A avaliação é que a ferramenta pode acelerar o trabalho das equipes e facilitar o acesso a informações relevantes para a atividade parlamentar.
A liderança do MDB na Câmara, do deputado Isnaldo Bulhões (AL), utiliza IA para organização e checagem de informações.
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